FABIO MOTTA/ESTADÃO-12/03/2015
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‘Capitalismo de Estado não dá certo numa democracia’, diz Levy

Em evento em SP, ministro defendeu o ajuste fiscal e disse que é importante dar condições oportunas para o setor privado

Karla Spotorno, Francisco Carlos de Assis e Ricardo Leopoldo, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 11h45

Texto atualizado às 16h20

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu nesta segunda-feira, 16, o ajuste fiscal do governo Dilma. "Se a gente fizer o ajuste de forma rápida, de verdade e no tamanho necessário para estabilizar a dívida, as pessoas vão sentir o chão firme para voltar a tomar risco", afirmou em palestra na Associação Comercial de São Paulo. Levy ressaltou que é importante que as condições da economia sejam oportunas para que o setor privado possa atuar, investir e empregar pessoas, especialmente com confiança sobre a perspectiva do País. "Capitalismo de Estado não dá muito certo para uma democracia", disse.

Segundo ele, o governo está trabalhando para evitar cenários econômicos que justifiquem as agências de rating rebaixarem a classificação de risco dos títulos do Brasil. "Estamos trabalhando para evitar cenários de downgrade e inflação alta", disse. O ministro afirmou que o ajuste fiscal é crucial para o Brasil voltar a crescer. "Só podermos entrar nessa etapa (de retorno do crescimento), se a primeira (etapa, a do ajuste) estiver pronta", afirmou. Levy disse que é importante não ter medo do ajuste. "Se a gente fica com medo, vamos ter problemas", afirmou.

O ministro ainda parafraseou o economista Nouriel Roubini. "Como disse Roubini, quem não quer ajuste (fiscal) é suicida, ou quer jogar bomba para outro", comentou. O comentário faz referência a uma entrevista que Roubini deu à Folha de S.Paulo, em que disse que "se a presidente não for irracional ou suicida politicamente, e não acho que ela seja, o ajuste será feito."

Levy afirmou que o governo está trabalhando não só no ajuste fiscal mas em outras frentes. "Acho que é importante vocês entenderem que estamos trabalhando", afirmou, citando iniciativas para estimular as pequenas e médias empresas e as concessões. "Trabalhamos nos diversos setores para a economia voltar a crescer", disse.

Ainda segundo Levy, os cortes no orçamento de despesas discricionárias tem sido muito forte e que ele vai ficar mais claro, talvez, quando o Orçamento for votado. "O que importa é quanto eu deixei de gastar e o governo teve grande disciplina nessa área", destacou o ministro. Para Levy, o governo está priorizando gastos e cada ministro é informado de quanto dispõe. "A presidente Dilma validou que vamos gastar o que foi gasto em 2013, disse Levy, afirmando que o governo vai fazer uma simplificação do PIS e Cofins." De acordo com ele, essa mudança é muito importante para a indústria e vai trazer transparência na carga do setor. "Isso vai gerar mais velocidade para quem tem crédito e será bem mais automático", disse o ministro.


Juros. O ministro disse que a maneira de ter juros mais baixos é as pessoas olharem e perceberem robustez na economia. Aí, segundo o ministro, a dívida pública vai cair. Para ele, o que faz os juros serem baixos é a poupança. 

Levy ressaltou, no entanto, que no ano passado que a poupança foi da ordem de 13% do PIB e que pode ter caído para 12% neste ano. "Com poupança de 12% do PIB a gente vai ter juros mais baixos? Se quero financiar concessões tenho que poupar um pedaço para investir nisso. Depois fica mais fácil trazer poupança de fora para financiar a infraestrutura", disse o ministro, reforçando que não há razão para o País não conseguir fazer isso.

De acordo com Levy, se o Brasil tem uma economia de iniciativa privada é preciso dar o mínimo de segurança ao empresário. "Tem que olhar e dizer: Esse negócio vai dar certo e quero colocar mais (dinheiro) nessa parada. A ideia de que o governo não cortou gastos tem que ser bem olhada", afirmou o ministro, acrescentando que o governo fez uma programação de gastos muito forte. 

Dilma. Para Joaquim Levy, as medidas adotadas pela presidente Dilma Rousseff não são apenas medidas, mas uma forma de a economia brasileira se ajustar a uma nova situação da economia mundial (pós crise mundial de 2008). "As medidas (que estão sendo substituídas) foram adotadas em um momento em que se falava em medidas anticíclicas", disse Levy, acrescentando que tais medidas não eram permanentes porque não se sustentavam do ponto de vista fiscal. Segundo ele, em 2009 o Brasil tinha espaço fiscal para poder pensar em política anticíclica (quando o governo gasta mais recursos).

De acordo com Levy, a presidente Dilma Rousseff está "absolutamente tranquila e confortável em relação às medidas que estão sendo adotadas". Vale ressaltar que o ministro Levy nunca mencionou tantas vezes, como fez hoje, o nome da presidente Dilma Rousseff nos seus discursos anteriores. "É claro que algumas medidas tem que ser consultadas ao maior sócio do governo, que é o Congresso", disse. Ele afirmou que o governo está dialogando como  Congresso.

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