Capitalização da Eletrobrás está adiantada

Enquanto a Petrobrás corre contra o tempo para concluir seu processo de aumento de capital até o fim de setembro, a Eletrobrás já tem tudo praticamente pronto para sua capitalização no mesmo prazo. Segundo o presidente da estatal, José Antônio Muniz Lopes, ao contrário de empresas que aguardam a operação da Petrobrás, a Eletrobrás pode realizar seu processo, porque o aumento de capital não será levado ao mercado financeiro.

Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

"Há uma dívida da Eletrobrás com o Tesouro e com o BNDES, que será transformada em participação acionária, embora em volume pequeno, insuficiente para alterar o grupo de controle", explicou Muniz. Com essa operação, a empresa espera se livrar de R$ 500 milhões anuais gastos com os juros da dívida. O montante da dívida que será trocada no processo é de R$ 4,9 bilhões.

A companhia já vinha desde o ano passado finalizando os trâmites para a capitalização. No fim do ano passado, aumentou o capital de suas subsidiárias integrais, trocando dívida por ações, numa operação que superou R$ 11 bilhões. Além disso, no início deste ano, a Eletrobrás aprovou o pagamento de dividendos retidos desde a década de 70. O débito total, de R$ 10,3 bilhões, será pago em quatro parcelas anuais, até 2013.

Em abril, o Tesouro transferiu para o BNDES o equivalente a R$ 2,7 bilhões, relativos a Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (Afac) que a União detinha na Eletrobrás. Essa conta é um crédito computado no balanço da estatal, que forma uma espécie de reserva a ser usada pelo governo em eventual capitalização.

"Agora está apenas faltando o decreto do governo autorizando a operação", disse Muniz, ontem, depois de participar de evento promovido pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel). A partir desse decreto, os acionistas minoritários serão convocados a participar da operação. Para que não sejam diluídos, terão oportunidade de adquirir novas ações na proporção do volume atual que detêm.

Hoje, o governo federal tem 52% das ações ordinárias da Eletrobrás. O BNDES, via BNDESpar, detém outros 21,08%.

Internacional. A Eletrobrás iniciará em novembro a construção da Hidrelétrica de Tumarim, na Nicarágua, de 250 megawatts. Será a primeira da estatal fora do Brasil e marca o processo de internacionalização da companhia, que já tem uma série de projetos para toda a América Latina.

A Eletrobrás terá 50% de participação. A outra metade ficará a cargo da Queiroz Galvão. O investimento será de US$ 700 milhões e toda a energia será consumida na América Central.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.