Capitalização e o crescimento do mercado de capitais

O sucesso da oferta pública de ações da Petrobrás, considerada a maior da história, deve estimular outras empresas de capital aberto a optar pela captação de recursos via Bolsa de Valores. Para as grandes empresas, esse tipo de capitalização é bastante vantajoso, vis a vis os custos e limites de endividamento gerados pelos empréstimos bancários, incluindo aqueles subsidiados pelo BNDES. e os empréstimos baratos adquiridos no exterior.

Análise: Alcides Leite, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Com a operação de capitalização da Petrobrás, a Bolsa de Valores de São Paulo passa a figurar como a segunda do mundo, em valor de mercado, e entres as maiores do mundo em movimento financeiro. Considerando que havia várias dúvidas em relação à viabilidade técnica e financeira das operações da Petrobrás na prospecção de petróleo na área do pré-sal, e levando em conta que o sistema financeiro internacional passa por um período de convalescença após a sua maior crise nos últimos 70 anos, podemos dizer que a operação de capitalização da Petrobrás serviu como uma espécie de certificação do mercado de capitais brasileiro frente aos demais mercados.

Também na semana passada, a pesquisa Bloomberg Global Poll, feita com 1.400 investidores, analistas e corretores de Bolsa de Valores, indicou que os mercados financeiros do Brasil, da Índia e da China oferecem maiores condições de retorno do que o mercado financeiro dos Estados Unidos, que é considerado o melhor dentre os países desenvolvidos.

Essa opinião dos operadores financeiros internacionais, somado ao sucesso da operação de capitalização da Petrobrás, deve ajudar a atrair grande volume de investimentos estrangeiros para o mercado de capitais brasileiro nos próximos meses. A percepção de estabilidade econômica e jurídica, crescimento do PIB, e perspectiva de desvalorização do dólar em relação às moedas dos países em desenvolvimento, ajudam a criar um ambiente de negócios atraente para o capital dos países desenvolvidos, que não encontram as mesmas condições nos seus próprios mercados.

Oxalá o novo governo contribua, por meio do fortalecimento do ambiente regulatório, com o aumento dos investimentos públicos em infraestrutura, redução das taxas de juros e profissionalização das empresas públicas, para consolidar o mercado de capitais nacional. A história econômica nos mostra que essa consolidação é uma das condições básicas para um país atingir o status de nação desenvolvida.

É PROFESSOR DA TREVISAN ESCOLA DE NEGÓCIOS

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