Capitalização não afetou a Petrobrás, afirma Gabrielli

O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, entende que as ações da companhia não sofreram tendência de queda após a capitalização do final de setembro. "Ela (a ação) tem um processo de estabilização, ainda não retomou o crescimento porque é um crescimento baseado fortemente com as expectativas de longo prazo", comentou após sua participação no seminário Pré-sal e o Rio Grande do Sul - Oportunidades para a Indústria, Trabalhadores e Sociedade, realizado ontem em Porto Alegre.

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

Para Gabrielli, o movimento de baixa verificado nos dias 5 e 6 de outubro foi provocado por ajustes de carteira feitos pelos investidores internacionais por causa da mudança da cobrança do IOF sobre aplicações de renda fixa e de renda variável.

"O investidor internacional que tinha ações da Petrobrás em mãos poderia vender essas ações no Brasil. Essas ações se transformariam em reais e com esses reais ele poderia comprar títulos de renda fixa no Brasil sem precisar pagar os 2% de IOF sobre investimento estrangeiro em renda fixa. No dia 7 à noite o governo percebeu essa brecha, alterou a regulamentação e ela (a ação) se estabiliza de novo", explicou o executivo.

Gabrielli também acredita que a queda dos últimos três dias é um movimento generalizado do mercado de ações mundial, especialmente nas áreas das empresas de energia, especialmente as de petróleo. "Como a Petrobrás tem volume de transações muito alto, é uma ação muito líquida, ela tende a ter movimentos muitos mais intensos que outras companhias."

O executivo confirmou o plano de investimentos de US$ 224 bilhões da Petrobrás até 2014 e disse que a maior parte do valor será coberta com recursos de caixa, capitalização já feita e geração de receita. Reconheceu que há uma dívida de US$ 38 bilhões que pode ser rolada e a necessidade de contrair outra, também de cerca de US$ 38 bilhões, nos próximos cinco anos. "Nossa alavancagem, que é a razão dívida - capital próprio, está em 16%, 18%, e depois da nova (dívida) vai para 30%", previu. "Não teremos problemas financeiros, apesar de o dinheiro ser muito." Avisou ainda que a cadeia de fornecedores da Petrobrás deve aumentar capacidade e qualidade para atender a demanda da empresa nas condições de tempo necessárias e a custos compatíveis com a tendência internacional.

Uma das medidas tomadas para fazer a cadeia crescer e se qualificar é o programa Progredir, lançado em setembro. Gabrielli lembrou que, por acordo, seis bancos se dispuseram a aceitar como garantia para financiamento a empresas da segunda cadeia (fornecedores dos fornecedores da Petrobrás) os contratos da primeira cadeira de fornecedores.

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