Captação com bônus no exterior cai e empresas recorrem a bancos

Apesar do agravamento da crise externa, companhias brasileiras têm conseguido obter financiamento no exterior

FERNANDO NAKAGAWA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h07

Mesmo com o agravamento da crise externa, empresas brasileiras têm conseguido financiamento no exterior. De acordo com os dados do Banco Central, apesar do desempenho ruim do mercado internacional em outubro, firmas brasileiras obtiveram crédito equivalente a 178% do total da dívida que vencia naquele mês. A cifra leva em conta os repasses entre sede e filial (intercompanhia), emissão de títulos e empréstimos bancários tradicionais. Em novembro, até o dia 22, a renovação de operações estava em 1.634%.

Levantamento feito pela Agência Estado com base em dados do BC mostra que a taxa de renovação dos empréstimos internacionais ficou em quase duas vezes o total das dívidas de outubro. No mês, empresas captaram US$ 2,821 bilhões para fazer frente aos pagamentos de US$ 1,583 bilhão em operações intercompanhia, título e empréstimos bancários. O valor captado foi suficiente para pagar quase o dobro dos compromissos.

A crise, porém, tem tornado a conta mais apertada. Um ano antes, em outubro de 2010, a taxa de rolagem dessas operações ficou em 550%. Naquele mês, as captações no exterior somaram US$ 6,789 bilhões, valor muito superior à dívida que venceu naquele mês, US$ 1,235 bilhão.

Em outubro de 2011, a influência da crise foi observada pela redução da oferta de crédito em algumas linhas. Segundo o BC, o total de emissões de títulos e bônus no mercado internacional despencou 98% ante igual mês de 2010, para apenas US$ 34 milhões. Já os empréstimos intercompanhia (dinheiro da sede para uma filial) caíram 65,6%.

A queda, no enquanto, foi compensada pelos empréstimos bancários, que cresceram 19,4% entre os meses de outubro, para US$ 1,462 bilhão - mais que operações intercompanhia e emissão de papéis juntos. Esse fenômeno - de aumento de importância dos empréstimos - tem sido observado desde o terceiro trimestre. Com a terceira fonte de recursos, o mês terminou com taxa de rolagem total - incluídas as operações intercompanhia - em 178%. Sem intercompanhia, o indicador ficou em 412%.

Novembro. Dados preliminares de novembro mostram que a oferta de crédito não sentiu tanto a crise pelo menos até o dia 22. Números apresentados no fim do mês mostravam que a taxa de rolagem das operações de financiamento por emissão de papéis e bônus e empréstimos diretos estava em 1.634% em novembro até o dia 22. Ou seja, a captação foi mais de 15 vezes superior ao vencimento das dívidas. Esse dado preliminar não inclui as operações intercompanhia.

De acordo com os dados, a renovação nos empréstimos bancários estava em 749% nesse período e nas operações com papéis, em 4.557%. "A magnitude dos desembolsos mostra que o mercado internacional ainda está aberto às empresas brasileiras apesar da volatilidade", disse na ocasião da divulgação dos números, o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

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