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Captação das cadernetas e empréstimos habitacionais

Os depósitos de poupança sofreram saques de R$ 612 milhões, no mês passado, e de quase R$ 2 bilhões, até a terceira semana deste mês, surpreendendo os bancos, que empregam os recursos no financiamento da casa própria. Caso se acelerem as retiradas de dinheiro das cadernetas e continuem aumentando as operações de crédito imobiliário, a escassez de recursos já prevista para 2012 ou 2013 poderá ocorrer mais cedo.

, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Até o ano passado, a captação via cadernetas crescia à média anual de 20%, ante um crescimento superior a 50% no ritmo de avanço dos empréstimos. No biênio 2009/2010, por exemplo, os saldos das cadernetas aumentaram 39,2%, enquanto o volume de financiamentos dos bancos cresceu 87,1%. No primeiro quadrimestre deste ano, os créditos para a compra de moradia superaram R$ 22 bilhões, prevendo-se que atinjam R$ 80 bilhões no ano.

O descompasso entre captação e aplicação só não inviabiliza o crédito imobiliário porque há excedentes antigos de recursos não aplicados. E porque surgiram novos mecanismos de captação, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), além dos fundos imobiliários, que têm atraído investidores.

Mantido o ritmo das aplicações, o esgotamento da poupança poderá ocorrer no próximo ano, temem instituições de grande porte como a Caixa Econômica Federal (CEF) e os Bancos Santander e HSBC, ouvidos pelo jornal Valor. A CEF, maior agente do crédito imobiliário, prevê dificuldades no final do primeiro trimestre do ano que vem, o que é um prazo muito curto para o sistema imobiliário.

O enfraquecimento da captação das cadernetas é consequência da alta de juros, que provocou um deslocamento de recursos da poupança para os fundos. Para os bancos, a insuficiência das cadernetas terá de ser suprida por novas modalidades de captação - uma das quais, o covered bond, chamado de "CDB imobiliário", que está sob discussão no governo.

Além de atrair novos recursos para o financiamento da moradia, será preciso atentar para o risco de elevação dos custos das operações, pois a caderneta propicia recursos baratos - os aplicadores recebem 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), ou seja, entre 7% e 8% ao ano, permitindo que os financiamentos sejam oferecidos a taxas entre 10% e 12% ao ano.

Ou seja, a inflação em alta também impõe riscos ao setor imobiliário, pois afeta a captação das cadernetas e, assim, prejudica a oferta de crédito a taxas módicas para os mutuários.

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