Captação interna superou a externa em 2004

As empresas brasileiras captaram mais no mercado doméstico do que no exterior em 2004. Os números fechados serão divulgados ainda este mês pela Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid). Uma prévia feita pela instituição, reunindo apenas fundos, debêntures e notas promissórias emitidas no mercado interno mostra que o volume (R$ 15,7 bilhões) já supera o dobro das captações externas de empresas privadas (cerca de R$ 7,5 bilhões).A liquidez no mercado de capitais internacional que se estendeu ao Brasil, o alongamento dos prazos no País e o encurtamento lá fora, além de o ano de 2004 ter começado com o mercado externo praticamente fechado às empresas brasileiras são os principais fatores listados pelo vice-presidente da Anbid, Luis Fernado Rezende, para o aquecimento doméstico. Além disso, houve também o encarecimento dos custos de hedge (proteção) para operações em dólar.O cenário continua favorável, a ponto de as previsões para o primeiro semestre deste ano apontarem para um volume igual ou superior de emissão de debêntures em relação a todo o ano passado. É o que projeta o Banco Votorantim. O grupo empresarial tem se destacado como um dos mais ativos do mercado: em 2004, foram dez operações de debêntures e três de fundo de direito creditório (FDC) no mercado interno e quatro captações externas, sendo uma pioneira em reais."As emissões de debêntures, segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) somaram R$ 11,85 bilhões no ano passado. Já existem em análise R$ 6,7 bilhões, sendo que somente duas operações de leasing somam R$ 6 bilhões e distorcem um pouco o resultado. De qualquer forma, pelo menos R$ 10 bilhões já parecem garantidos para este semestre.Como os FDCs estão também ganhando cada vez mais mercado, com certeza teremos um período bastante aquecido", diz Emílio Otranto, chefe de mercado de capitais do Votorantim. Na segunda-feira, o grupo anunciou também uma emissão externa, de eurobônus, no valor inicial de US$ 100 milhões, aproveitando a melhora atual do cupom cambial. No ano passado, quando o Risco País caiu para níveis em redor dos 300 pontos e o real se valorizou frente ao dólar, o banco iniciou uma emissão externa em reais logo acompanhada por outras instituições, como Bradesco, Unibanco e Banco do Brasil. A oferta inicial era de US$ 50 milhões, houve demanda para US$ 100 milhões, mas a empresa decidiu fechar em US$ 75 milhões, no prazo de 18 meses."Tem tomador para este tipo de lançamento lá fora e acredito que este tipo de operação vai se repetir este ano, diz Rezende, da Anbid. Ele lembra, contudo, que os prazos para emissões brasileiras no exterior permaneceram curtos em 2004, entre um ano e 18 meses. Casos como a captação com prazo de 15 anos da Petrobrás e a de 30 anos, da Vale do Rio Doce, foram absolutas exceções, que não mudam o cenário global. "Petrobrás e Vale foram e continuam sendo casos à parte", afirmou.Os dados disponíveis até o momento na Anbid indicam, até novembro, um saldo de US$ 13 bilhões para as emissões externas, sendo que metade desse valor correspondem à operações da República. "A outra metade pode ser assim dividida: 60% bancos e 40% empresas. Considerando-se uma cotação média no ano de R$ 2,90 para o dólar, chegamos a um total de captações externas corporativas de R$ 7,5 bilhões", calcula.Os números disponibilizados pela CVM, incluindo lançamento de ações, mostram, em 2004, uma captação doméstica de R$ 22,65 bilhões. Mas, os números finais também estão sendo fechados.

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