Captações devem chegar a R$ 120 bi este ano, estima CVM

As captações no mercado de capitais brasileiro devem chegar aos inéditos R$ 120 bilhões em 2006, valor que supera em quase 70% o registrado no ano passado. O superintendente de Registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Carlos Alberto Rebello, calcula que só o lançamento de ações deva ultrapassar os R$ 35 bilhões, mais do que o dobro dos R$ 14 bilhões contabilizados em 2005. Analistas lembram que o mercado de capitais vem andando com suas próprias pernas. Ao contrário do passado, o setor não recebeu nenhum empurrão do governo, como no caso de ofertas públicas utilizando o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Rebello argumenta que com crescimento no número de captações, o mercado de capitais se tornou o grande financiador dos investimentos do setor privado. "Se a economia continuar como está, sou bastante otimista.(...) A inflação está baixa, os juros caindo. Esse é um cenário positivo", afirma.Desde 2005, as emissões em títulos privados, como ações, debêntures e notas promissórias - movimentam recursos do que o volume de empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às companhias no País. O desembolso do BNDES estimado para este ano é de cerca de R$ 50 bilhões, menos da metade do volume de captações previsto.O superintendente da CVM explica que o forte apetite dos investidores por ativos de países emergentes vem contribuindo para o crescimento no número de emissões de ações no Brasil. Segundo ele, os fundos de investimentos nos Estados Unidos migraram uma parcela maior de seu portfólio para países emergentes nos últimos anos. E a expectativa é de que esse movimento continue.A previsão de R$ 120 bilhões em emissões privadas previstas para este ano, o último do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é quase o triplo do recorde registrado durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2000, as captações somaram R$ 42 bilhões, sendo que mais de um terço desse número reflete a troca de ações da Telesp por recibos da Telefónica de Espanha negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)."O governo Lula teve a grande virtude de manter a política econômica e ainda viveu uma fase global muito positiva. As taxas de juros no exterior estavam baixas e, aqui no Brasil, muito atraentes", diz Álvaro Bandeira, sócio da Ágora Corretora. Segundo ele, o cenário para o segundo mandato de Lula é favorável, mas não tanto como foi o primeiro. Bandeira acredita que a economia internacional não está tão expansionista quanto foi nos últimos quatro anos. "Mesmo assim, ainda existe boas oportunidades", afirma. Bandeira lembra que o importante é o governo Lula atacar rapidamente as reformas necessárias para sustentar um crescimento mais forte da economia brasileira. Entre elas, as reformas política, fiscal e a revisão da previdenciária. O executivo observa que o mercado estará atento ainda à formação da equipe econômica do novo governo.

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