Captações privadas superam R$ 100 bilhões em 2008

Valor acumulado até o fim de julho já representa 60,5% de todas as emissões feitas no ano passado

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

31 de julho de 2008 | 18h13

Apesar das turbulências no mercado financeiro, as captações privadas em renda variável e fixa já superaram a cifra dos R$ 100 bilhões este ano. O valor representa 60,5% de todas as emissões feitas em 2007, quando as ofertas de valores mobiliários atingiram o nível recorde de R$ 166,9 bilhões. Além das emissões já registradas pela Comissão de Valores Mobiliários, outras operações que somam cerca de R$ 30 bilhões ainda estão no forno à espera do aval da autarquia para serem lançadas. Mas, o cenário atual não é favorável para essas operações no mercado financeiro. O analista do Banco Modal, Eduardo Roche, alerta que o setor hoje está mais seletivo, o que deixa pouco espaço para captações de empresas de médio porte, estrelas do "boom" do mercado de capitais entre 2005 e 2007. O executivo lembra que dos R$ 100 bilhões emitidos até agora, mais de 25% se devem apenas a duas ofertas públicas de ações: a da OGX, empresa de petróleo do empresário Eike Batista, e da mineradora Vale. A primeira foi a maior oferta inicial de ações (IPO) já realizada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e movimentou cerca de R$ 7 bilhões. Já a da Vale somou R$ 19,4 bilhões, sendo a maior emissão de ações já feita por uma empresa brasileira. Sem essas duas operações, o total captado em ofertas de ações em 2008 cairia dos atuais R$ 33,5 bilhões para o patamar modesto de R$ 7,1 bilhões. Em 2007, as operações de renda variável somaram R$ R$ 67,3 bilhões. Em relação às operações de renda fixa, as ofertas de debêntures e notas promissoras foram as que apresentaram melhor desempenho. O volume de debêntures somou R$ 36,8 bilhões, enquanto as ofertas de notas promissórias já registradas pela CVM totalizam R$ 12,2 bilhões, valor superior aos R$ 9,7 bilhões apurados ao longo de todo ano de 2007. Com a crise externa, a perspectiva do analista do banco Modal é de que o País não deve alcançar o número recorde registrado em 2007. "O mercado está muito fechado. Acredito que até as operações de renda fixa devem estar sofrendo", afirmou Roche.

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