Caramuru prevê redução das disputas com Argentina

O fim da conversibilidade diminuirá a pauta de disputas entre Brasil e Argentina, avaliou nesta terça-feira o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, embaixador Marcos Caramuru de Paiva.?Todas as discussões acabavam convergindo para a diferença entre políticas cambiais?, disse ele.A lista de pendências variava desde as salvaguardas que a Argentina pretendia adotar para compensar-se da flutuação do câmbio no Brasil até as dificuldades para fixar, em conjunto, as tarifas para importações de terceiros países.Por isso, o anúncio de que a Argentina adotará o câmbio flutuante foi bem recebido pela equipe econômica brasileira. ?A médio prazo, haverá um encontro de posições.?Na opinião de Caramuru, ficará mais fácil avançar na convergência macroeconômica dentro do Mercosul.Além disso, a própria Argentina poderá beneficiar-se de uma maior estabilidade na sua política cambial.?Quando havia a conversibilidade, havia um constante questionamento sobre sua manutenção?, lembrou o secretário.Ele disse que, no momento, é ?impossível? saber o que acontecerá no curto prazo, pois há diversos detalhes do pacote argentino que ainda não são conhecidos.Caramuru cita dúvidas sobre como será a política monetária, o relacionamento do país com os credores internacionais e o funcionamento exato do regime duplo de câmbio.?Mas essas respostas virão?, afirmou ele, com a experiência de quem já presenciou, no Brasil, a implantação de diversos pacotes.O retrospecto dos programas de ajuste brasileiros tem, de certa forma, contribuído com o governo argentino. Informalmente, integrantes da equipe econômica brasileira vêm trocando idéias com seus colegas do país vizinho sobre as medidas a serem adotadas.A ajuda tem ocorrido também de outra forma: nas conversas informais com membros de organismos multilaterais e analistas internacionais de mercado, os integrantes do governo brasileiro procuram tranqüilizar seus interlocutores.?A administração da mudança de um regime cambial é muito difícil, ainda mais quando não se tem uma equipe de governo completa?, observou Caramuru.?Fazer isso e ainda formular um programa econômico é um esforço muito grande, por isso seria demasiado esperar que o governo argentino oferecesse de pronto todas as respostas.?O embaixador acredita que a crise argentina não se prolongará por muito tempo. ?Não sei dizer quantos meses ou anos, mas a história mostra que as crise latino-americanas foram de curta duração?, disse.?Além disso, a Argentina já passou por momentos difíceis e se mostrou capaz de fazer as reformas necessárias no passado.?Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.