Carga retida pela greve de fiscais já soma US$ 450 mi

Estimativa do Ciesp refere-se apenas ao embarque e desembarque de produtos no Porto de Santos e nos aeroportos de Cumbica e Viracopos

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) calcula que o volume de cargas retidas no Porto de Santos e nos aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas) por causa da greve dos auditores fiscais já soma US$ 450 milhões. Na semana passada, esse número estava em US$ 350 milhões, destaca o diretor da entidade, Ricardo Martins, ressaltando que o valor se refere às associadas.Segundo ele, apesar da liminar obtida pela entidade, cerca de 20% das empresas associadas (ou 150 companhias) continuam com problemas para retirar o material importado, o que tem prejudicado várias linhas de produção. Ele afirmou que até ontem 750 indústrias já haviam retirado cópia da liminar obtida pelo Ciesp para liberar cargas em Santos, Viracopos e Cumbica. A situação mais complicada, diz ele, está no porto, onde os direitos não estão sendo respeitados. Apesar disso, as empresas preferem não aparecer para evitar represálias.Além dos transtornos na retirada de mercadorias, a greve, que entrou na terceira semana ontem, já elevou em 50% o custo operacional de movimentação de cargas nos terminais, afirmou o diretor executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), José Roberto de Sampaio Campos. "O prejuízo está na rotatividade, no aumento do custo de operação, já que os operadores têm de colocar os contêineres empilhados no limite de cinco. É muito mais tempo na movimentação e no custo operacional."A paralisação não causa contratempos apenas em portos e aeroportos. Nas 14 áreas de fronteiras do Brasil, há cerca de 9 mil veículos parados com matéria-prima para vários setores, como o automobilístico. A empresa de logística Cirlog, por exemplo, está com 25% de sua frota, de 130 veículos, parada em portos secos na fronteira com a Argentina. O gerente de operações da companhia, Roger Henrique Santos, comenta que a situação pode ficar ainda pior, já que ontem as senhas para entrar nos portos secos deixaram de ser distribuídas. Segundo ele, vários clientes da empresa, que atende especialmente o setor automobilístico, correm o risco de parar a produção por falta de matéria-prima. Ele destaca ainda que um caminhão parado representa cerca de US$ 500 de prejuízo por dia. "Tenho veículo parado há uma semana."Na Furlong, a situação não é diferente. A empresa, que também atende ao setor automobilístico, está com um terço de sua frota de 150 caminhões parada nas fronteiras, diz o gerente comercial da companhia, Tom Kleber Fernandes. "A situação está crítica. Um caminhão que demorava 12 horas para cruzar a fronteira hoje fica seis dias parado."Por causa disso, a representante de transporte, Maria José Borghetti, decidiu recusar serviços para outros países. "Não vou ficar com o caminhão parado na fronteira, com custos que os clientes não querem pagar. Assim como eu, várias transportadoras não estão aceitando fretes internacionais." Jaqueline Vilela, gerente da MC Import & Export, empresa de consultoria aduaneira, relata que alguns de seus clientes já estão parando linhas de produção. Segundo ela, por falta de matéria-prima, empresas do setor de cosméticos já temem não conseguir abastecer o mercado para o Dia das Mães. Há casos em que mercadorias estão retidas no Porto de Santos há mais de um mês. COLABORARAM REJANE LIMA e JOSÉ HENRIQUE LOPES

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