Fernanda Luz/Estadão - 5/1/2022
Fernanda Luz/Estadão - 5/1/2022

Cargas de trigo paradas no Porto de Santos foram liberadas por fiscais da Agricultura, diz indústria

Produtos aguardavam a liberação de fiscais agropecuários e agora precisam passar pela inspeção da Receita Federal; operação-padrão prejudica atrasa a entrada de produtos no País

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 15h06

As três cargas de trigo argentino que estavam paradas no Porto de Santos aguardando vistoria de fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura foram liberadas na tarde de ontem, informou a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) ao Estadão/Broadcast Agro

Segundo a entidade, todos os processos que estavam pendentes no ministério envolvendo trigo foram aprovados. A associação estima que cerca de 100 mil toneladas estavam paradas no porto aguardando liberação para consumo no País. O produto trazido em três navios foi importado por três moinhos paulistas.

A normalização da operação ocorre em meio à operação "tartaruga" de fiscais federais agropecuários que se mobilizam por melhores salários. Desde dezembro, estes auditores passaram a ser mais rigorosos nos procedimentos, o que atrasa análises e dificulta despachos. 

O deferimento da licença de importação, cedido pela pasta, estava sendo aguardado há duas semanas pelos importadores.

A preocupação agora é com a vistoria da Receita Federal, já que os auditores atuam em operação-padrão desde o dia 23 de dezembro, conforme uma fonte do setor.

Executivo de um moinho de São Paulo, que importou parte da carga, explica que o ministério deferiu a licença de importação do cereal que estava descarregado em silos alfandegários. O processo agora segue para a Receita Federal. 

Assim, a liberação para o uso e comercialização do cereal dos silos ainda depende do aval dos auditores da Receita Federal. "Acredito que não haverá demora. Ainda está no tempo correto", afirmou o executivo.

Atrasos nas fronteiras

A operação-padrão dos auditores da Receita Federal tem atrasado a liberação de mercadorias em parte dos portos e das fronteiras. Ontem, mais de 800 caminhões estavam parados na fronteira do Brasil com a Venezuela, em Pacaraima (RR),  esperando a liberação pela Receita Federal. 

O movimento começou após o presidente Bolsonaro anunciar em dezembro que faria uma reestruturação das carreiras policiais ligadas ao Ministério da Justiça, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. O governo chegou a reservar R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 para atender apenas as categorias de segurança que são base de apoio do seu governo.

A operação-padrão também prejudica a liberação de combustível importado no Porto de Santos. Milhares de litros de combustíveis se acumulam nos tanques do terminal, no litoral de São Paulo. O porto paulista é a principal porta de entrada de gasolina e óleo diesel no País.

Desde o dia 28 de dezembro, os produtos não estão sendo escoados porque os auditores não autorizam a comercialização. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.