Cargill desbanca BRF e passa a ser 4ª maior exportadora do Brasil

Aumento da demanda internacional por grãos beneficiou a empresa; Vale e Petrobrás seguem no topo do ranking

SUZANA INHESTA , FERNANDA GUIMARÃES , O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h08

O aumento da demanda internacional por grãos, principalmente de soja, beneficiou particularmente as exportadoras de produtos agrícolas no primeiro semestre do ano. Na lista das 40 empresas brasileiras que mais exportam, organizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Cargill, comercializadora global de produtos agrícolas, com sede nos Estados Unidos, desbancou a brasileira BRF, processadora de carnes e dona das marcas Sadia e Perdigão.

A Cargill passou a ocupar a quarta posição, atrás da Bunge Alimentos, outra comercializadora que, também impulsionada pelos grãos, está em terceiro lugar desde o levantamento divulgado em abril.

No primeiro semestre, as vendas externas da Cargill somaram US$ 2,7 bilhões, crescimento de 20,6% frente aos US$ 2,2 bilhões registrados no mesmo período anterior. A BRF teve um faturamento externo de US$ 2,6 bilhões, expansão de 109,32% na comparação com a receita cambial de US$ 1,3 bilhão dos primeiros seis meses de 2012.

Em junho, as exportações da Cargill avançaram 63,47%, passando de US$ 313,115 milhões para US$ 511,9 milhões. A receita cambial da BRF no período passou de US$ 177 milhões para US$ 388 milhões, alta de 19,43%.

Com a demanda internacional de carnes crescendo de maneira menos intensa do que a de grãos, a brasileira JBS, maior empresa de carnes do mundo, manteve 10º lugar no ranking, apesar de ter registrado aumento nas exportações. De janeiro a junho, as vendas internacionais a partir do Brasil somaram US$ 1,6 bilhão, avanço de 25,75% sobre o valor de US$ 1,3 bilhão do mesmo período de 2012.

A Seara Alimentos, empresa do Grupo Marfrig, caiu duas posições e passou para o 23º lugar. As vendas externas recuaram 9,%, passando de US$ 885,8 milhões para US$ 805,9 milhões. No mês passado, a Marfrig anunciou a venda dos ativos da Seara no Brasil à JBS. Porém, a operação ainda está em processo de finalização, sob a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Minérios em baixa. A mineradora Vale e estatal do petróleo Petrobrás seguem, respectivamente, na primeira e na segunda posições. A Vale consolidou a posição de maior exportadora brasileira, superando, de longe, a Petrobrás. No acumulado do ano até junho, a companhia alcançou a marca de US$ 12,2 bilhões (preço FOB) exportados, mais do que o dobro do registrado pela estatal no mesmo período. Nos seis primeiros meses do ano, a petrolífera exportou US$ 5,9 bilhões.

Se comparado ao mesmo período de 2012, as exportações da Vale apresentaram leve aumento de 2%. Ainda no primeiro semestre do ano passado, a Vale figurava como a maior exportadora do País, mas a Petrobrás a acompanhava de perto: a diferença entre as duas era de apenas 4%.

Cabe destacar que a média dos preços do minério de ferro - produto carro-chefe da Vale - estavam mais altos no primeiro semestre de 2012 do que no mesmo período este ano.

N o mês de junho, as exportações da Vale chegaram em US$ 2,09 bilhões, queda de 11,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as exportações da Petrobrás somaram US$ 949,7 milhões, aumento de 6,8%. Mas o déficit comercial da Petrobrás subiu mais uma vez. As importações da petrolífera atingiram US$ 20,4 bilhões no período, resultando em um déficit de US$ 14,5 bilhões no primeiro semestre do ano.

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