Cargill inicia produção de biodiesel no País

Empresa investiu R$ 130 milhões em fábrica em Mato Grosso do Sul e entra em um mercado que opera com ociosidade de cerca de 50%

EDUARDO MAGOSSI, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h09

A Cargill entrou oficialmente no mercado de biodiesel com o início, ontem, das operações de sua primeira fábrica do combustível, em Três Lagoas (MS). Com capacidade de produção de 252 milhões de litros de biodiesel por ano, tendo a soja como matéria-prima, a unidade da Cargill é integrada à esmagadora de soja que a empresa já opera no local, reduzindo custos de transporte de matéria-prima.

"Teremos o óleo de soja para a produção de biodiesel dentro da fábrica", explica Max Slivnik, diretor comercial de grãos e processamento de soja da Cargill. A empresa também espera ganhos de competitividade pelo fato de a unidade possuir acesso a modais ferroviário, rodoviário e hidroviário. "A planta fica às margens do Rio Paraná", afirma. Apenas na unidade de produção de biodiesel foram investidos R$ 130 milhões.

Segundo o executivo, o fato de a unidade estar localizada em região de forte vocação agrícola indica que haverá demanda próxima, o que acentua a competitividade da operação. "Máquinas agrícolas e caminhões que carregam a safra utilizam diesel que hoje tem uma mistura obrigatória de 5% em sua composição", disse o gerente comercial de biodiesel da Cargill, Elcio de Angelis. Com a empresa já em operação, a Cargill pretende participar do próximo leilão de compra da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), esperado para início de setembro.

Agricultura familiar. Desde agosto de 2011, quando começou a construção da unidade, segundo Slivnik, também teve início a operação de criação de um departamento para cuidar da agricultura familiar, necessária para a empresa obter o "Selo de Combustível Social" do governo e poder participar de uma fatia maior do leilão de biodiesel da ANP. Segundo ele, o programa da Cargill de agricultura familiar já atinge mais de mil famílias espalhadas por 7 Estados.

O executivo disse que a Cargill já lida com a agricultura familiar em outros países, como na produção de algodão em países africanos, e procurou utilizar essa experiência no Brasil. A expectativa da empresa é de que o Ministério do Desenvolvimento Agrário conceda o selo social à fábrica no próximo mês.

Na Cargill, 100% da matéria-prima utilizada para produção de biodiesel será a soja, incluindo a vinda de agricultura familiar. "O início da operação da fábrica de biodiesel vai completar a participação da Cargill na cadeia de soja. Já estamos na cadeia alimentar, através de óleo de soja, de fornecimento de gordura vegetal para outras empresas de alimentos, de farelo, e também na exportação de soja. Agora, teremos também o biodiesel", afirma Slivnik.

A indústria já vai produzir um biodiesel com menos de 200 partes por milhão de umidade, exigência da ANP apenas a partir de 2014. "Queremos ter vantagem competitiva nos leilões, já que, com as reformulações mais recentes, existe a possibilidade do comprador escolher a origem do biodiesel", disse.

Apesar da capacidade ociosa existente hoje no mercado, de cerca de 50%, Slivnik acredita que a Cargill será competitiva nesse mercado.

Segundo o gerente comercial Elcio de Angelis, o atual cenário de preços elevados da soja não deve afetar a empresa. "Temos estoques e originamos a soja. O problema é para quem tem que comprar a soja de terceiros", disse. A companhia já atua no segmento de biodiesel nos Estados Unidos, Bélgica, Alemanha e Argentina.

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