Claudio Capucho/Embraer
Claudio Capucho/Embraer

Cargueiro militar da Embraer agora se chama Millennium

Nova marca dá início a parceria com Boeing

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 04h00

O gigante da Embraer mudou de nome, agora atende por C-390 Millennium e tem novas habilidades - um sofisticado sistema de defesa contra fogo pesado, por exemplo, que aumenta sua capacidade em missões de deslocamento de forças especiais. O cargueiro militar pode levar até 26 toneladas, envolvendo, no caso, times de combatentes e o equipamento - armamento, veículos, suprimentos. 

Os recursos para o desembarque rápido nessas condições críticas, desenvolvidos para o Millennium, permitem que a operação seja feita de forma a diminuir a exposição a uma reação do inimigo. Para se proteger de um eventual ataque com mísseis infravermelhos, guiados pelo calor, o grande jato emprega salvas de iscas térmicas. Há outras proteções, eletrônicas. Os detalhes de funcionamento são mantidos em sigilo pelo fabricante. 

A denominação original, KC-390, vai servir apenas para as versões que incorporem a utilização também como avião tanque, preparado para fazer o reabastecimento em voo de outras aeronaves; caças, principalmente, ou helicópteros, e outros cargueiros do mesmo tipo. O programa de desenvolvimento foi iniciado em 2009, quando a Força Aérea sob contrato da Força Aérea Brasileira (FAB) para fornecimento de 28 KC-390. A fase de pesquisa e projeto custou US$ 2 bilhões. A compra vai sair por R$ 7,2 bilhões. A aviação militar de Portugal, o primeiro cliente externo, comprou cinco aviões por cerca de US$ 1 bilhão. O segundo birreator de série será entregue à FAB em dezembro.

Parceria

O anúncio das mudanças foi feito ontem no Dubai Air Show, pelo presidente da Embraer Defesa e Segurança (EDS), Jackson Schneider, junto com a apresentação da joint venture, a Boeing Embraer Defense, destinada especificamente a promover e desenvolver novos mercados para o C-390. As operações binacionais "serão baseadas no histórico de colaboração entre as empresas para agregar maior valor ao Millennium, que está entrando em serviço e irá liderar a próxima geração de aviões de transporte e mobilidade aérea", acredita Marc Allen, presidente da Boeing para Parceria com a Embraer. Para Jackson Schneider, "com a parceria, o mercado internacional se alarga - inclusive o mercado americano". 

A demanda mundial para essa classe de cargueiro é estimada em 700 unidades a serem encomendadas nos próximos 12 anos, um negócio da ordem de US$ 50 bilhões. Na faixa do C-390, os Estados Unidos tem o Hércules C-130J, um robusto quadrimotor turboélice em uso por 17 países, e que fez seu primeiro voo há 65 anos, em 1954. O modelo brasileiro, produzido em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, é um jato de duas turbinas, opera em pistas sem pavimentação, leva mais carga e tem múltipla destinação - recebe 80 soldados ou 64 paraquedistas, faz busca e salvamento, combate incêndios, realiza evacuação médica (74 macas, mais equipe médica) e cumpre tarefas humanitárias. 

A Embraer Defesa terá 51% de participação na joint venture, cabendo os 49% restantes à  Boeing. Ambas as corporações planejam ainda a criação da Boeing Brasil Commercial, na qual o grupo americano deterá 80%, cabendo 20% à empresa brasileira. A operação está sujeita a aprovação dos órgãos regulatórios e de ajustes finais nas negociações. A previsão é de que a transação seja concluída no primeiro trimestre de 2020. 

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