Issei Kato / Reuters
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Carlos Ghosn mantinha um 2º passaporte francês

Chave que garantia acesso ao documento estava com advogados do empresário, que fugiu do Japão nesta segunda-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2020 | 08h24

O ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn, que fugiu do Japão, onde estava em prisão domiciliar, tinha dois passaportes franceses, incluindo um que sempre levava em uma mala trancada, informou à AFP uma fonte próxima ao caso. Confirmando as informações do canal público japonês NHK, a fonte indicou que os advogados do executivo conservavam três passaportes (um francês, um libanês e um brasileiro), mas que ele tinha dois passaportes franceses.

Uma autorização excepcional do tribunal permitia que ele ficasse com um dos dois passaportes franceses trancados em uma mala, que estava em sua posse. A chave, no entanto, ficava com seus advogados, explicou a fonte. O documento servia como visto de curta duração no Japão e ele precisava utilizá-lo em seus deslocamentos internos.

Nesta quinta-feira, 2, a França informou que não pretende extraditar Ghosn caso ele chegue ao País. "Se o senhor Ghosn chegar à França, não iremos extraditá-lo porque a França nunca extradita seus cidadãos", disse a secretária de Estado da Economia e Finanças, Agnès Pannier-Runacher, ao canal BFMTV. Ainda assim, o governo francês considera que Ghosn "não deveria ter escapado do sistema de justiça japonês". "Ninguém está acima da lei", declarou a secretária. O empresário também é investigado no país, mas nenhuma acusação foi apresentada até o momento.

Ghosn, que tem tripla cidadania (francesa, brasileira e libanesa), fugiu na segunda-feira, 30, do Japão, onde estava em prisão domiciliar, para o Líbano. Alvo de quatro acusações e em prisão provisória sob fiança desde abril de 2019, o empresário vivia com certa liberdade de movimento, mas sob condições estritas.

Encontro com presidente libanês

De acordo com duas fontes ouvidas pela agência Reuters, Carlos Ghosn teria sido recebido no Líbano com entusiasmo pelo presidente Michel Aoun. O empresário brasileiro agradeceu pelo apoio que o político deu a ele e à sua esposa, Carole, enquanto estava preso. Agora, Ghosn precisa da ajuda do governo para garantir sua segurança após a fuga do Japão.

A reunião entre Aoun e Ghosn não foi divulgada – e um porta-voz do governo libanês negou que o encontro tenha ocorrido. "Ele não foi recebido na presidência e não se encontrou com o presidente da República", disse uma autoridade à AFP. As duas fontes ouvidas pela Reuters, porém, afirmam que os detalhes da reunião foram descritos pelo próprio empresário. / AFP e Reuters

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