AP Photo/Eugene Hoshiko
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Libertado, Ghosn terá câmeras de vigilância em casa

Executivo brasileiro também concordou em entregar passaporte às autoridades; julgamento deve ser em seis meses

O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 03h27
Atualizado 06 de março de 2019 | 20h45

Após ficar 108 dias preso em Tóquio, o executivo brasileiro Carlos Ghosn, 64 anos, foi libertado nesta quinta-feira, 6. Ele pagou uma fiança de 1 bilhão de ienes (o equivalente a R$ 33,8 milhões). O ex-todo-poderoso da aliança Renault-Nissan deixou o centro de detenção usando uma máscara cirúrgica e um boné azul.

A Nissan colaborou com a promotoria japonesa na investigação sobre Ghosn, que é acusado de ocultar US$ 44 milhões de seu patrimônio das autoridades do país. O executivo nega ter irregularidades e diz passar por um “terrível martírio”.

O julgamento do brasileiro não está marcado, mas deverá ocorrer em até seis meses. Até lá, Ghosn permanecerá vivendo em Tóquio. O executivo vai entregar seu passaporte às autoridades japonesas e se submeterá a uma rotina de intensa vigilância.

Ghosn concordou em instalar câmeras nas entradas e saídas de sua residência, e está proibido de usar a internet ou enviar e receber mensagens de texto. Ghosn também ficará impedido de se comunicar com as partes envolvidas em seu caso, e o acesso ao computador apenas será permitido no escritório de seu advogado.

A liberação de Ghosn veio um dia depois de a Corte do Distrito de Tóquio ter rejeitado mais um pedido da promotoria do país para manter o executivo na cadeia. Preso em 19 de novembro de 2018, o brasileiro foi mantido na prisão por meio de vários pedidos de prisão temporária. No Japão, uma só acusação pode motivar diversas prorrogações do encarceramento de um acusado.

Herói

O executivo era considerado uma espécie de herói no Japão. Ghosn teve papel fundamental na união entre Renault e Nissan, em 1999. Após anos de êxito na França, Ghosn chegou ao Japão como superestrela corporativa. Um dos raros casos de estrangeiro que conseguiu se manter no topo de um grupo japonês, o brasileiro teve a história de vida contada em anime.

Ghosn é creditado por salvar a Nissan do colapso. Ele implementou uma série de mudanças na empresa, incluindo o fechamento de cinco fábricas, o que resultou no corte de 21 mil vagas. Na época, ganhou o apelido de “exterminador de gastos”. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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