Regis Duvignau/Reuters
Regis Duvignau/Reuters

Após 1 mês, Carlos Ghosn pode ser liberado da prisão no Japão

Justiça japonesa decidiu não prorrogar período de detenção que acabou ontem; documentos mostram pagamentos de executivos da Renault

Reuters, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 21h10

Em uma medida inesperada tomada nesta quinta-feira, um tribunal de Tóquio decidiu não prorrogar a prisão do ex-presidente do conselho de administração da Nissan Carlos Ghosn, o que significa que o executivo pode deixar em breve a prisão onde está detido por suspeita de fraude financeira.

O Tribunal do Distrito de Tóquio também decidiu não prorrogar a detenção de Greg Kelly, ex-diretor da Nissan que foi preso junto com Ghosn em 19 de novembro. Advogados de ambos não estavam disponíveis de imediato para comentar.

A Procuradoria do Distrito de Tóquio recorreu contra a decisão do tribunal de não prorrogar a prisão de Ghosn e Kelly. Ghosn liderava a Nissan, a Mitsubishi Motors e a Renault.

Ele foi indiciado em 10 de dezembro por supostamente omitir cerca de metade de seu rendimento durante um período de cinco anos a partir de 2010, e teve a prisão renovada no mesmo dia por supostamente cometer o mesmo crime nos últimos três anos. O último período de 10 dias de detenção terminou nesta quinta-feira.

Pagamentos da Renault

Executivos da Renault e da Nissan analisaram pelo menos duas vezes formas legais de pagar a receita não divulgada de Ghosn por meio das finanças compartilhadas das montadoras parceiras, mostraram documentos aos quais a Reuters teve acesso.

Os esforços discutidos nesses documentos acabaram sendo abandonados. No entanto, os registros mostram pela primeira vez que algumas discussões sobre como compensar Ghosn fora do olhar do público não se limitaram à montadora japonesa, mas também incluíram executivos da Renault.

A receita não divulgada de Ghosn na Nissan está no centro das alegações dos promotores de Tóquio contra o presidente do conselho da parceria, que foi acusado de não declarar US$ 43 milhões recebidos entre 2010 e 2015.

Desde 2010, empresas japonesas são obrigadas a divulgar detalhes da remuneração de executivos, incluindo opções de ações e bônus, quando exceder 100 milhões de ienes (US$ 890 mil).

Os planos, que foram discutidos em 2010 e 2017, procuraram encontrar canais legais por meio dos quais Ghosn poderia receber pagamentos não declarados da parceria Renault-Nissan BV (RNBV). Ghosn e Kelly ainda estão sob custódia e tiveram pouca oportunidade de se defender em público.

Ghosn, que segue como presidente do conselho e presidente-executivo da Renault, nega que os supostos acordos de pagamento quebraram qualquer lei, disse seu advogado japonês.

A Nissan quer examinar as finanças da RNBV e outras sócias da aliança. A Renault, cujo maior sócio é o Estado francês, até agora ignorou o pedido de investigação independente. 

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