Joseph Eid/AFP
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Após depoimento, promotoria do Líbano impede Carlos Ghosn de deixar o país

Advogado do executivo disse que ele está ‘confortável’ com todas as demandas da Justiça libanesa

Fernando Scheller, enviado especial , O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 07h25
Atualizado 09 de janeiro de 2020 | 14h08

BEIRUTE - O ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn compareceu perante a Justiça libanesa nesta quinta-feira, 9, para prestar depoimento referente ao alerta de prisão emitido pela polícia internacional Interpol, a pedido do Japão, onde ele é considerado foragido da Justiça. Depois do depoimento, a promotoria libanesa determinou que ele entregasse seu passaporte francês e que não deixasse o país, segundo a agência de notícias do governo libanês, a NNA.

Em entrevista à rede de televisão libanesa MTV, o advogado de Ghosn no Líbano, Carlos Abou Jaoude, disse que ele está “confortável” com a forma com que seu processo está sendo conduzido no país. A decisão da promotoria também determina que Ghosn mantenha as autoridades informadas sobre seu local de residência. A medida é vista como um aceno de relações internacionais do governo libanês ao Japão.

A convocação do depoimento partiu do procurador de Estado do Líbano, Ghassan Oueidat, e veio após reunião entre o governo libanês e o embaixador japonês no país. No depoimento, que durou cerca de uma hora, Ghosn entregou documentos de sua defesa ao juiz. 

No dia 29 de dezembro, Ghosn fugiu de Tóquio, onde cumpria prisão domiciliar, em direção a Beirute, reunindo-se com sua mulher, Carole. O Líbano não tem acordo de extradição de seus cidadãos ao Japão e nem costuma prender alvos de alertas de prisão da Interpol.

Viagem a Israel

Além de endereçar as acusações relativas ao alerta da Interpol, Ghosn também foi convocado a falar sobre a queixa prestada contra ele por um grupo de advogados do Líbano por causa de uma visita que fez a políticos israelenses na época em que era presidente do grupo automotivo. Pela lei libanesa, cidadãos do país que pisam em território israelense estão sujeitos a prisão, devido ao histórico de conflito entre as duas nações.

Durante a entrevista que concedeu nesta quarta-feira, 8, Ghosn endereçou os dois temas. Ele lembrou que o Líbano não costuma atender a pedidos de prisão pela Interpol (de maneira geral, o país apenas interroga os alvos de alertas de prisão). Na visão de advogados do país, a chance de o ex-titã da indústria automotiva receber punição no Líbano é nula. O governo já avisou que não vai deportá-lo para o Japão.

Em relação à visita a Israel, que foi bastante criticada na mídia libanesa nos últimos dias, o executivo esclareceu que o encontro com políticos israelenses se deu a pedido da Renault-Nissan – e que ele fez a visita a Israel nessa condição, e não como cidadão do Líbano. Mesmo assim, ele pediu desculpas à nação pelo encontro na entrevista coletiva que concedeu nesta quarta-feira.

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