Carlos Slim pode injetar dinheiro no ''New York Times''

Empresa que edita o jornal enfrenta queda de receita sem precedentes

Reuters, Nova York, O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2009 | 00h00

A empresa editorial americana New York Times Co. está em negociações para receber centenas de milhões de dólares do multimilionário mexicano Carlos Slim, segundo revelou uma fonte à agência Reuters. A medida daria à empresa recursos necessários para saldar dívidas.Um investimento de Slim, o segundo homem mais rico do mundo, também poderia representar um voto de confiança na família Ochs-Sulzberger, que controla a New York Times há mais de um século e se vê ameaçada pelas mudanças que afetam as bases do negócio jornalístico nos Estados Unidos.A empresa, que é proprietária dos jornais The New York Times e Boston Globe, além de vários outros nos EUA, enfrenta uma queda de receita com publicidade em um nível jamais visto por alguma empresa do setor. Segundo a fonte, a Times poderá dar a Slim, que já possui uma participação de 6,4% na empresa, ações preferenciais sem direito a voto, mas com um dividendo anual. A empresa planeja uma reunião especial nesta semana para tratar do investimento, segundo a fonte. A notícia foi informada inicialmente pelo jornal The Wall Street Journal. O porta-voz da New York Times não quis comentar.O dinheiro poderá ajudar a Times a saldar uma dívida de US$ 400 milhões de um empréstimo que vence em maio. Empresas editoras jornalísticas têm apresentado dívidas em seus balanços, mas isso não se converteu num tema até que suas receitas publicitárias começaram a cair, assim como as margens de lucro.Isso se deveu, em parte, a uma queda da circulação, pois muita gente está acessando a internet em busca de notícias grátis. A queda da publicidade foi agravada pela crise financeira. Jornais das cidades de Denver e Seattle poderão fechar neste ano porque suas empresas já não conseguem mantê-los e não encontram compradores.As ações da Times caíram 70% em relação ao máximo alcançado há 12 meses, de US$ 21,14 em abril de 2008 a US$ 6,41 na sexta-feira. Desde aquela época, seu valor encolheu para cerca de US$ 58 milhões. Ao mesmo tempo, Slim descreveu seu investimento na Times como uma medida mais financeira que estratégica.Slim, de 68 anos, converteu-se em um dos homens mais ricos do mundo ao realizar apostas arriscadas em companhias falidas. No ano passado, ele aumentou sua participação na varejista americana de artigos de luxo Saks Inc. a 18%, convertendo-se no maior investidor.Sua corretora Inbursa, no México, adquiriu pelo menos US$ 150 milhões em ações do Citigroup, enquanto os papéis do banco caíam a mínimos que não se viam desde 1992. Não está claro se a Inbursa adquiriu as ações para Slim ou para outros clientes.A Times se viu obrigada a pensar em vender propriedades para fortalecer sua posição de caixa. Entre os ativos que procura vender está a participação de 17,5% na empresa proprietária do time de beisebol Boston Red Sox.A pergunta definitiva é quanto tempo a família Ochs-Sulzberger permanecerá no negócio. Muitas reportagens da mídia e comentaristas se perguntaram se a família tem coragem para continuar envolvida apesar da queda no valor das ações.Até agora, contudo, o presidente e editor da Times, Arthur Sulzberger Jr., disse que a companhia não está à venda. A Times também enfrenta renovada ameaça do Wall Street Journal, propriedade da News Corp., cujo presidente executivo, Rupert Murdoch, não oculta seu objetivo de tirar o New York Times de sua posição de melhor jornal dos EUA.Executivos da Times viram o investimento inicial de Slim como um bom desdobramento.Passaram-se vários meses desde que o fundo de hedge Harbinger Capital Partners comprou cerca de 20% das ações da Times, exigiu que a companhia vendesse ativos que não eram centrais para seu negócio para fortalecer o valor de suas ações e conseguiu colocar dois representantes no conselho, contra as objeções iniciais da Times.O império de Slim inclui a gigante de telefonia celular America Movil, lojas de departamentos, restaurantes e fábricas de cigarros, farinha, cerâmica e autopeças.

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