Carlos Wilson continua no comando da Infraero

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, venceu a disputa pela indicação do presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Tércio Ivan de Barros, que chegou a ser cogitado pelo presidente Lula mas não contava com a simpatia de Dilma, não será mais o presidente da estatal. Ante o impasse, o ex-senador Carlos Wilson continuará à frente da empresa pelo menos até abril, quando sai para se candidatar a deputado federal pelo PT de Pernambuco."Havia pedido demissão porque o presidente Lula tinha solicitado a todos aqueles que são candidatos que deixassem os cargos", contou Wilson, que retornou de férias na semana passada. "Mas o presidente pediu para que eu continuasse. Disse-lhe que pretendo ser candidato e o presidente respondeu que não tem importância, que eu poderia sair em abril", contou o presidente da Infraero. "Diante do pedido, fiquei".Tércio fora escolhido por Lula substituto de Carlos Wilson na segunda quinzena de julho, depois de uma confusa operação de troca do comando da Infraero. Até as 14 horas do dia 25, o nome certo era o do ex-deputado Airton Soares, expulso do PT em 1985 por ter votado a favor de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral que escolheu o presidente. A escolha dele serviria para reaproximar o presidente Lula de antigos militantes petistas. No mesmo dia 25, entretanto, Lula escolheu Tércio, que é funcionário de carreira da Infraero.Transbrasil Entre os problemas com que o novo presidente da Infraero terá de lidar, está o da Transbrasil, que trava uma disputa jurídica com a estatal por causa da ocupação de pátios, hangares e balcões. O Conselho de Administração da Infraero decidiu em 29 de junho promover a retirada da empresa dos espaços que ocupa. Hoje, de acordo com informações da Infraero, a Transbrasil deve R$ 205,437 milhões à estatal, o que corresponde a 13,6% dos cerca de R$ 1,5 bilhão de créditos por uso de suas instalações. A empresa que controla os aeroportos brasileiros já conseguiu tirar a Vasp - outra firma insolvente - de 60% de hangares, galpões e áreas. Mas com a Transbrasil a disputa é ferrenha.A banca de advogados que defende os interesses da companhia aérea tem entre os sócios Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula. Teixeira sustenta que a Transbrasil não é uma empresa falida. Ainda conforme a Infraero, a Transbrasil quer negociar as áreas que pertence à estatal com outra empresa, a Ocean Air. Por enquanto, o processo de desocupação dos espaços aguarda a ação da Justiça.

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