Madero/Divulgação
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Carlyle acerta compra de fatia minoritária do Madero por R$ 700 milhões

Fundo volta às compras no Brasil depois de dois anos ao fechar contrato para ficar com 22% da rede de hamburguerias; acordo ainda passará por fase de análise de dados financeiros

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2018 | 13h20

O fundo de private equity Carlyle voltou às compras no Brasil depois de dois anos com ao acertar a aquisição de uma fatia de 22% da rede de hamburguerias paranaense Madero, por R$ 700 milhões, de acordo com fontes próximas à negociação. O acordo entre as partes foi assinado na semana seguinte da eleição e, para ser efetivado, prevê processo de 'due dilligence' (análise de dados financeiros) que deverá se estender até o início de janeiro. O negócio avaliou a totalidade do Madero em R$ 3 bilhões.

Atualmente com 139 restaurantes, a rede Madero, inaugurada em 2005, ficou conhecida pela rápida expansão de seus negócios. Parte do crescimento foi financiado por meio de dívidas, que foram concentradas com o fundo HSI. Hoje, os débitos totais do Madero estão ao redor de R$ 520 milhões, segundo apurou o Estado. Dos R$ 700 milhões a serem aportados pelo Carlyle, R$ 600 milhões devem ir para o caixa da empresa e o restante, para o bolso dos sócios.

Segundo as fontes consultadas pelo Estado, o negócio foi fechado diretamente pelo Carlyle - com participação tanto de executivos brasileiros quanto americanos do fundo - e o empresário Junior Durski, dono do Madero. No passado, a rede negociou com vários outros fundos, como Catterton, Gávea e General Atlantic. O Madero também chegou a trabalhar com vários 'advisors' para operações do gênero, como Itaú BBA, Bradesco BBI e BR Partners.

Depois de 24 meses de "silêncio" no mercado, o Carlyle - fundo que é dono de negócios como a rede de brinquedos Ri-Happy e a cadeia de decoração TokStok no Brasil - voltou a investir com a intenção de forma relativamente rápida do negócio. A empresa está com alguns investimentos "antigos" no Brasil, esperando a oportunidade de realizar lucro. A Ri-Happy, por exemplo, está na fila de IPOs (aberturas de capital) na Bolsa paulista.

A chance de saída do fundo se dará pela intenção do Madero em fazer a abertura de capital dentro de dois anos. Segundo o Estado apurou, o objetivo da cadeia de restaurantes é convidar investidores pessoas físicas de pequeno porte para participar da negociação de ações da companhia. Para isso, quer usar a imagem do apresentador Luciano Huck, que é dono de 5% do negócio e é conhecido como garoto-propaganda de várias marcas de varejo.

Investimentos

Do ponto de vista de expansão, os planos do Madero deve seguir inalterados, conforme apurou a reportagem. A empresa ainda vai abrir três restaurantes até o fim do ano - para um total de 142 - e prevê a inauguração de mais 52 somente no ano que vem. Os números incluem as cadeias Madero, Stake House e Jerônimo (de apelo mais popular). A empresa ainda tem duas outras redes de sanduíches - que levam o sobrenome de Durski - atualmente em desenvolvimento.

Depois de zerar a dívida com a HSI, o Madero tem a intenção de usar os R$ 80 milhões para investimentos. No ano que vem, apurou o Estado, a rede tem a intenção de aplicar R$ 380 milhões no negócio, para a abertura de lojas e abastecimento da fábrica que produz quase todos os produtos vendidos nos restaurantes, que fica em Ponta Grossa (PR). O restante dos recursos para os investimentos virão da geração de caixa do negócio, que hoje gira em torno de R$ 300 milhões.

Procurado, o Madero disse que não comentaria o assunto. O Carlyle também não quis se pronunciar. 

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