Carnaval, Argentina e inflação afetam mercados

Os investidores preparam-se para o fechamento dos mercados no carnaval - a Bolsa de Valores de São Paulo, por exemplo, só reabre ao meio-dia da quarta-feira de cinzas. Como em todo feriado mais longo, procuram-se posições mais conservadoras para evitar perdas em função de acontecimentos durante os dias de descanso, especialmente em função do cenário externo instável, tanto na Argentina como nos EUA. A retração da inflação, confirmada hoje pela primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), com queda de 0,16%, deve afetar os negócios.O IGP-M só foi divulgado depois do fechamento, mas as cotações dos contratos futuros já indicavam queda mais acelerada dos juros. O governo vem mantendo a Selic - taxa básica referencial de juros da economia - em 19% por temer que uma queda barateie o crédito e estimule os gastos, pressionando a inflação. A meta deste ano, de 3,5% é apertada, mas já se prevê mais folga no final do ano. Antes disso, porém, muitos investidores apostam num corte, ainda que pequeno, da Selic nos próximos meses. A queda dos índices de preços reforça essa expectativa.Na Argentina, o final do feriado bancário e cambial teve sofreu novo adiamento e o pacote econômico agora só deve entrar em vigor na segunda-feira, quando os brasileiros estarão comemorando o carnaval. Por isso, muitos preferiram assumir posições mais conservadoras, já que a situação no país vizinho ainda é grave e podem surgir novas surpresas. A grande dúvida é sobre a cotação do dólar, agora que o câmbio será livre para todas as operações. Para a pessoa física, o bloqueio parcial dos depósitos bancários foi atenuado, mas vigorará um limite de compra de US$ 1 mil.E os investidores norte-americanos não têm se impressionado com os seguidos indicadores de desempenho econômico, em geral, apontando um início de retomada do crescimento. A notícia é boa e deveria, ao menos teoricamente, estimular as cotações das ações nas bolsas. Mas o escândalo da Enron, que trouxe muitas perdas por causa de manipulação dos balanços, assustou os investidores. Eles continuam temendo novas ocorrências do gênero e evitando apostas mais arriscadas, e as bolsas seguem em forte queda.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4360, com alta de 0,54%. Os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano fecharam o dia pagando juros de 20,00% ao ano, frente a 20,30% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,02%.A Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 5,94%. Às 18h30, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentava queda de 0,09%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em queda de 1,23%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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