Carnaval desafia indústria de camisinhas

Despreocupação, pouca roupa e muitas festas fazem do período de férias de verão e de carnaval a melhor época para a vendas de preservativos. Neste período, o esforço das companhias para acompanhar o aumento da procura - que chega a 50% - atinge o ápice, mas o esforço é insuficiente para aproveitar todas as oportunidades de mercado. O Ministério da Saúde, por exemplo, foi obrigado a importar 21 milhões de camisinhas da Índia só para abastecer o público carnavalesco devido à falta de capacidade instalada da indústria local. Toda essa agitação não seria um problema se depois da quarta-feira de cinzas a indústria não precisasse rebolar para driblar a capacidade ociosa.Por enquanto, a principal estratégia do setor para enfrentar a forte sazonalidade tem sido as exportações, mas a aposta nas compras do governo também direcionam alguns investimentos. A Inal, empresa de São Roque, no interior de São Paulo, fabricante das marcas Olla, Microtex, Lovetex e Falcon, por exemplo, decidiu ampliar a capacidade de produção de 8 milhões de unidades por mês para 30 milhões e para isso investiu US$ 5 milhões. Quando os planos de ampliação estiverem efetivados, em janeiro do ano que vem, a Inal espera um salto de 50% no faturamento anual de US$ 9,84 milhões obtidos em 2001, pela venda em torno de 180 milhões de camisinhas. Demanda carnavalescaPara a Inal, empresa de São Roque, no interior de São Paulo, o faturamento chega a crescer entre 15% e 20% entre janeiro e o carnaval. "Nessa época, a demanda cresce tanto que alguns clientes pedem a entrega do material por avião ", conta o diretor-comercial José Araújo. No caso da norte-americana Johnson & Johnson (J&J), as vendas dos preservativos Jontex crescem 8% entre janeiro a abril. Para enfrentar essa época, outro fabricante, a Blowtex produz a plena capacidade desde outubro, fabricando mensalmente 16,6 milhões de camisinhas por mês. "A produção cresceu 30%, em média, em relação a outros períodos do ano", conta o diretor-comercial da empresa, Marco Martinez. "Daí a importância dessa época", destaca. A companhia prevê aumento de 50% na vendas neste período de férias e carnaval. Disputa de mercadoNo mercado interno, a briga pelo espaço no mercado é caracterizada por investimentos em marketing e novos lançamentos. A J&J, segundo a própria companhia, vende 100 milhões de unidades de preservativos por ano e é a líder de mercado, com 35% de participação no mercado brasileiro. A Inal, porém, garante a venda 180 milhões de unidades no País e diz disputar o primeiro lugar do ranking com a multinacional. "Faremos parceria com importadores para que se tornem distribuidores dos nosso produtos no mercado interno", ensina o diretor comercial da Inal, Jorge Araújo. A ONG BemFam, que trata de questões da reprodução humana, deixou de importar o produto e passou a distribuir os da Inal para a população de baixa renda.Já a Blowtex, com uma fatia de 20% no mercado brasileiro de camisinhas, aposta em marketing para ampliar sua participação para 25% até dezembro. A estratégia será a realização de campanhas diretas para o consumidor, como a distribuição de amostras grátis. "Para isso prevemos investimentos 18% superiores aos realizados no ano passado", adianta Martinez, sem revelar qual o valor aplicado pela companhia em 2001.A DTK, no Brasil desde 1991 e importadora da linha Prudence e Reality - linha de preservativo feminino -, investiu R$ 100 milhões em marketing para ampliar sua participação no mercado, principalmente o carioca e o paulista. O investimento realizado neste período de férias e carnaval corresponde a 20% do orçamento da companhia para todo o ano. Dados da ACNielsen apontam market share da empresa de 18,9% no final de 2000. Para este ano, a meta da companhia é ampliar sua participação em pelo menos dois pontos porcentuais e, para isso, prevê aumento de importações de 15% em relação ao ano passado. LançamentosPelo lado de novos lançamentos, a Blowtex, que produz sete preservativos voltados ao consumidor e três institucionais, irá divulgar seu novo lançamento ainda neste semestre, mas prefere não divulgar detalhes. Já a DKT afirma que colocará no mercado, nos próximos dias, duas novas versões da linha Prudence Plus, batizadas como Prudence Plus Fiesta. As camisinhas terão dois sabores distintos e bicolores. "A de hortelã terá a base amarela e o corpo verde. A de morango terá a cor progredindo do amarelo para o vermelho", explica o diretor-comercial da empresa.Novos mercadosAlém da disputa no mercado interno, a estratégia das empresas para contornar a capacidade ociosa nos outros períodos do ano tem sido basicamente as exportações. Atualmente, as camisinhas da Blowtex podem ser encontradas em onze países do mundo, especialmente no Leste Europeu, América do Sul e Europa. Segundo o diretor-comercial da companhia, quatro novos mercados no continente europeu estão nos planos da empresa e devem passar a receber os produtos da brasileira em breve. "Nossas projeções apontam para incremento de 20% nas exportações da Blowtex até o fim deste ano", comenta Martinez, sem revelar qual o valor e/ou quantidade remetida ao mercado externo em 2001. Entre os principais importadores da Blontex está a Espanha.A Inal, a partir do segundo semestre, quando a capacidade instalada passará dos atuais 15 milhões de unidades mensais para 20 milhões de unidades por mês, pretende dar seus primeiros passos no exterior. A primeira medida foi registrar a marca Eurosex para o mercado europeu e Mercosex para o Mercosul. "Vamos começar pela Argentina assegurados por cartas de crédito de bancos de primeira linha", conta o diretor-comercial da empresa. No mercado regional, dominado pela marca Ansell, da norte-americana Dunlop, a Inal quer vender 10% de sua produção, o que representa US$ 1,8 milhão por ano. As exportações para a Europa começam em janeiro de 2003 e as vendas serão realizadas a partir de Portugal. GlobalizaçãoNa onda da globalização, a J&J centraliza sua produção de camisinhas no Brasil. A fábrica, em São José dos Campos (SP), existe desde 1936, utiliza o látex natural importado da Ásia, considerado de qualidade superior ao nacional. O Brasil, para a J&J, é plataforma de exportações para a América Latina, Canadá e alguns países asiáticos, sendo que as vendas de preservativos representam 5% do faturamento total. "Atualmente buscamos ampliar as exportações", informa a J&J.Para ler mais sobre esse setor, acesse o portal de Química e Petroquímica no endereço http://www.aesetorial.com.br, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2002 | 14h50

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