Carnaval mais cedo deve complicar oferta de energia

Os reservatórios das grandes hidrelétricas continuam muito abaixo da previsão do governo

ALAOR BARBOSA, Agencia Estado

18 de janeiro de 2008 | 18h10

A antecipação do carnaval este ano, na primeira semana de fevereiro, e o fim do horário de verão no dia 17, vieram se somar à falta de chuvas para complicar a oferta de energia elétrica no País nos próximos meses. Os reservatórios das grandes hidrelétricas continuam muito abaixo da previsão do governo, devendo encerrar janeiro quase 10 pontos abaixo do que era projetado em dezembro.   Veja também:   Reservatórios do Sudeste ficam abaixo do nível de segurança "A falta de chuvas é o fator principal, mas o carnaval mais cedo e o fim do horário de verão contribuem para aumentar o consumo e dificultar a oferta", explicou um técnico que acompanha o dia-a-dia do setor.As atividades econômicas tendem a se acelerar após o carnaval e o horário de verão colabora para evitar picos de energia no final da tarde, já que há o ganho de uma hora no aproveitamento da claridade do sol. Com o término do horário de verão, os trabalhadores chegam mais cedo em suas residências no momento em que as indústrias ainda estão em plena atividade. "Pode parecer pouco, mas milhões de pessoas abrindo as geladeiras e ligando a TV ao mesmo tempo fazem diferença no consumo de energia, num momento em que as indústrias ainda não desligaram as máquinas", explicou o técnico.O que mais preocupa o setor, porém, é a falta de chuvas no Planalto Central, especialmente em algumas regiões de Minas Gerais e Goiás. "Chover em São Paulo ajuda, mas não é suficiente", complementou a fonte. Pelo acompanhamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) os reservatórios das grandes hidrelétricas na região Sudeste e Centro-Oeste deverão chegar ao final do mês quase 10 pontos percentuais abaixo da previsão inicial.TermelétricasNa avaliação de técnicos, a administração do sistema elétrico brasileiro trará surpresas o ano todo caso o volume de chuvas em fevereiro continue tão fraco quanto o observado em dezembro e janeiro. As usinas termelétricas no Brasil atuam apenas como complemento do suprimento hidrelétrico, que, tradicionalmente, responde por mais de 90% do consumo nacional. "Mesmo com todas as térmicas funcionando a plena carga, fica difícil compensar uma falta de chuvas muito expressiva", comentou um técnico.

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