Carnaval será de protesto em Buenos Aires

O carnaval portenho terá fortes tons de protesto social neste ano. A maior parte das 130 "murgas", denominação dos blocos que, em Buenos Aires são os principais símbolos da festa, terão como tema de suas canções a crise financeira e social, com destaque para as letras que fazem referência ao "corralito financeiro", denominação popular do semi-congelamento de depósitos bancários.Neste ano, as murgas se juntarão com diversas associações de bairro, responsáveis pela organização dos panelaços realizados nas últimas semanas. Desta forma, o repique das panelas dos manifestantes será acrescentada à harmonia dos bumbos que caracterizam as murgas.Amanhã à tarde as murgas começarão uma semana de desfiles em diversos bairros portenhos, no que já foi denominado ?carnaval do protesto?. Os diretores dos blocos estão pedindo que às colunas de foliões acrescentem-se desempregados, pessoas com hipotecas, endividados e credores, pessoas presas no "corralito" e aposentados, para protestar em conjunto.Com ironia, diversas murgas foram criadas no último mês, surgindo assim "a murga do corralito" e "a murga das pequenas empresas falidas", entre outras. Os foliões que as integram possuem identificações pessoais com os nomes das murgas.Um dos blocos tradicionais o "Gambeteando el empedrado" ("Driblando os paralelepípedos"), do bairro de San Telmo, tem uma letra que explicita o sentimento dos argentinos diante da crise que parece que não tem fim: "já disse Nostradamus/ já o disse há um tempão/ que tudo ia à m.../ e o rapaz tinha razão".PanelaçosDiversas associações de moradores estão convocando a população argentina para um novo panelaço, a ser realizado amanhã à noite. O protesto é contra a permanência do corralito, o novo Orçamento Nacional e a decisão do governo de devolver em pesos os depósitos originalmente feitos em dólares.Nesta de manhã, uma centena de manifestantes protestou na frente da embaixada dos EUA em Buenos Aires. O protesto não foi contra o governo americano, mas sim, para pedir que o governo de Washington ajude os argentinos que perderam seus depósitos na moeda americana.Durante a tarde, mais de duas mil pessoas, entre elas dezenas de advogados, marcharam até a Corte Suprema de Justiça para pedir a renúncia imediata dos juízes que a compõem.Os juízes são acusados de graves casos de corrupção, além de terem permitido o "corralito", decretado em dezembro pelo então presidente Fernando de la Rúa.Leia o especial

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