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Carnaval vira exemplo de eficiência brasileira

Apex traz executivos de 23 países para promover os serviços do País

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Sete executivos de conglomerados da propaganda mundial vieram curtir o carnaval na Marquês de Sapucaí. Antes de embarcar para o Rio, eles enfrentaram, em São Paulo, uma maratona de 253 reuniões, agendadas em dois dias de "matchmaking", ou encontros de relacionamentos. Do outro lado da mesa estavam 31 produtoras de publicidade brasileiras, que tiveram 20 minutos para mostrar seus talentos. A ideia desses encontros, patrocinados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), é incentivar a venda de serviços para o mercado externo. Embora no setor de produção de filmes as iniciativas de matchmaking estejam mais desenvolvidas - graças à parceria com a Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), que, por meio do projeto FilmeBrazil realizou em quatro anos 302 peças, totalizando uma receita de R$ 62,915 milhões -, a Apex-Brasil quer ampliar o leque de ações e resolveu aproveitar o carnaval para atrair novos contatos. Buscou parcerias com entidades empresariais de diversos segmentos da economia, onde há potencial de negócios lá fora, e montou um camarote na avenida do samba carioca para receber os convidados selecionados por meio da parceria."O carnaval é um atributo brasileiro que mostra a nossa capacidade de organização. É um evento gigantesco, repleto de tecnologia. No ano passado, por exemplo, uma escola pôs em desfile uma pista de skate em tempo real, o que é inacreditável", defende o presidente da agência governamental, Alessandro Teixeira. "Temos de aproveitar a ocasião para mostrar do que somos capazes e fechar negócios", acrescenta. Com inédito investimento de R$ 3 milhões, a Apex trará 105 convidados de 23 países, entre empresários, executivos e formadores de opinião, que, entre as delícias das festas momescas, vão visitar, em grupos organizados por afinidades, polos de excelência do País, como o de tecnologia e informática, em Belo Horizonte; o de máquinas e equipamentos agrícolas, no Rio Grande do Sul; o Projac, que é a fábrica de novelas da Rede Globo, no Rio; e ainda outros centros de produção de carnes, têxteis e sapatos. A iniciativa faz a Apex remar contra a maré, em particular a que prega o descolamento da imagem do Brasil que gera riqueza, da do Brasil do samba, suor & carnaval, considerada uma caricatura do País. Para o presidente da Apex não há porque não aproveitar o bônus que o carnaval gera e, com isso, acrescentar à fórmula a prospecção de negócios.Grandes empresas, como a cervejaria AmBev, por exemplo, há muito fazem isso. Foi no badalado camarote da Brahma no Rio que August Busch IV, o principal herdeiro da então maior cervejaria do mundo, a americana Anheuser-Busch, foi assediado pela primeira vez por um de seus futuros compradores, Marcel Telles. No ano passado, já associados à belga InBev, o trio fundador da AmBev, entre eles Telles, comprou a Anheuser. "Muitos países usam suas festas populares e simbólicas para gerar negócios. Vi isso de perto na China à época da Festa do Dragão. Ao levar convidados para lá, eles difundem uma imagem de eficiência que abre canais para realização de contatos comerciais", prega Teixeira. "Só nunca entendi por que aqui nunca fizemos isso de forma sistemática." Os convidados vão conhecer o carnaval por dentro, em visitas a galpões e com demonstrações de como se põe em pé esse espetáculo gigantesco. No caso da Apro, que vem montando eventos em parceria com a Apex-Brasil há quatro anos, o momento é de romper com a mensagem implícita de que filmar aqui custa pouco. "Não queremos ficar com a imagem de baratinhos", diz a presidente da entidade, Leyla Fernandes, sócia da empresa Produtora Associados, embora ela mesma reconheça que produzir comercial no Brasil sai, em média, 30% mais em conta do que rodá-lo na Europa ou nos Estados Unidos.

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