Carne: Guedes usará parecer da OIE para pressionar Japão

O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, vai usar o parecer técnico da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que declara o Estado de Santa Catarina como região livre de febre aftosa sem vacinação para pressionar o Japão a comprar ao menos carnes suínas brasileiras. Guedes chega ao Japão no domingo, 11, onde pretende convencer o governo local a abrir o mercado para as carnes de porco e bovina do Brasil. "Hoje o Japão compra carne de frango, mas não compra um quilo de suínos e bovinos do Brasil; nós concordamos com o regulamento sanitário extremamente rígido do governo japonês, mas pretendemos utilizar o parecer da OIE de Santa Catarina como argumento de negociação", explicou o ministro. ÁlcoolEm encontro com uma comitiva de 52 executivos e empresários japoneses, em Brasília (DF), nesta quarta-feira, o ministro tentou virar o jogo nas negociações bilaterais para o fornecimento de álcool brasileiro para o Japão. Guedes adotou o discurso de que cabe ao Japão garantir a compra do combustível, já que o Brasil tem garantia de oferta, logística para transporte e preços. "O Brasil não pode produzir etanol sem ter garantia de compra, pois o álcool não é petróleo, que se não houver demanda, você reduz a extração. É preciso haver uma demanda firme e garantida para que a gente possa fornecer o álcool", afirmou.A negociação para o fornecimento de álcool para o Japão já dura ao menos quatro anos, quando aquele país tornou não mandatório a adição de 3% de etanol à gasolina local, o que criaria uma demanda de 1,8 bilhão de litros por ano, cerca de 10% da produção brasileira do combustível de cana-de-açúcar. "Não temos dúvida alguma que a indústria é capaz de garantir esse fornecimento aos preços combinados, pois o Brasil nunca deixou de honrar compromissos de exportação com o Japão", afirmou o ministro.Guedes citou ainda que os contratos com o Japão poderiam ser feitos por um longo prazo, cerca de dez anos, e levantou a hipótese de que o cálculo do preço do combustível possa ser lastreado no petróleo.Já o presidente da trading Mitsui, Shoei Utsuda, que também preside o Comitê Econômico Brasil - Japão da Confederação da Indústria do Japão, afirmou estar "convencido que o fornecimento do etanol brasileiro está garantido e não será problema, ainda que os compradores do Japão queiram adquirir o combustível em grande quantidade", disse. Utsuda, no entanto, não quis comentar a negociação entre a trading, usineiros e a Petrobras para a construção de 40 unidades produtoras de álcool no Brasil.O ministro da Agricultura afirmou ainda que irá convidar para visitar o Brasil uma missão do Ministério da Agricultura do Japão como o intuito de avaliar as condições sanitárias locais. Além do Japão, Guedes vai a Cingapura e à Indonésia.

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