Carne pode definir cumprimento da meta de inflação em 2011, diz FGV

O preço das carnes no atacado, que teve alta de 5,26% em novembro, já está em desaceleração, com variação de 2,84% em dezembro

Denise Abarca, da Agência Estado,

29 de dezembro de 2011 | 16h39

SÃO PAULO - O comportamento dos preços da carne bovina no varejo pode ser decisivo para definir se a inflação fechará ou não 2011 acima do teto da meta de 6,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), segundo análise do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. "Pode ser o fator determinante para definir se a inflação romperá a meta", disse, em entrevista coletiva para comentar o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de -0,12% em dezembro.

Em 2011 até novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula variação positiva de 5,97%.

Segundo o coordenador, os preços das carnes no atacado, que tiveram alta forte, de 5,26% em novembro, já estão em desaceleração, com variação de 2,84% em dezembro, movimento que em breve deve ser captado pelos índices de inflação ao consumidor. Por enquanto, no varejo, ainda estão elevados. "A dúvida é se a desaceleração dos preços já vista nos frigoríficos será captada ainda em dezembro pelo IPCA", comentou.

Dentro do Índice de Preços ao Consumidor - Mercado (IPC-M), que acelerou de 0,43% para 0,71% entre novembro em dezembro, o destaque foi justamente o avanço de 0,52% para 1,24% do grupo Alimentação, liderado por carnes bovinas (1,95% para 5,36%). "O destaque de alta foi a carne, mas o movimento está perto do final", disse. Para o coordenador, os preços de alimentação como um todo devem ceder nos próximos meses, captando o que já ocorre no atacado, "mas não de uma vez", em razão do tradicional impacto das chuvas no início do ano sobre os produtos in natura.

De acordo com Quadros, o IPC deve experimentar alívio no curto prazo, em função basicamente do desempenho benigno de bens de consumo, enquanto para serviços o cenário não é tão tranquilo. Serviços tiveram queda de 0,49% para 0,43% entre novembro e dezembro. "A perspectiva de desaceleração está mais para os bens de consumo que para os serviços. Embora tenham tido leve recuo, é cedo para dizer que o movimento tem fôlego. É um ponto de interrogação", declarou.

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