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Carnevali dirigia operações na AL

Todo equipamento vendido pela Cisco na América Latina passava pelo Brasil, por decisão do executivo

Leda Beck, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

Carlos Roberto Carnevali, que aparece na lista da Policia Federal (PF) de envolvidos na Operação Persona como ex-presidente da Cisco Brasil e membro do Conselho Mundial de Vendas da empresa, era mais que o gerente-geral no País. Segundo fontes da empresa na América Latina, Carnevali conseguiu convencer a matriz a concentrar todos os distribuidores e revendas da Cisco na América Latina em suas mãos. Assim, tornou-se vice-presidente para a América Latina na área de Mercados Emergentes, que é dirigida por Paul Mountford, na matriz. Todo equipamento Cisco vendido na América Latina passava, portanto, pelo Brasil.Em junho, Carnevali foi promovido a membro da equipe de Estratégia e Planejamento da organização mundial de vendas da Cisco e, em seu lugar, como vice-presidente para a América Latina, entrou o argentino Jaime Vallés Valdés. Como presidente da Cisco Brasil, ficou Pedro Ripper, enquanto o diretor de vendas era o filho de Carnevali, Carlos Roberto Carnevali Júnior.Ripper havia sido preso na terça-feira, mas foi libertado no sábado. Em suas notas oficiais sobre o caso, a Cisco Systems menciona a prisão de ''''apenas quatro funcionários''''. John Noh, porta-voz da empresa, revela que há uma ''''investigação interna'''' em curso, que não tem data para terminar.Na lista da Polícia Federal, além de Carnevali, seu filho e Ripper, outros dois funcionários da Cisco Brasil são mencionados: Marco Antônio Martins de Sena, diretor de Canais e Alianças; e Daniela Wink Ruiz, diretora regional de Vendas. Excluído Carnevali pai, que agora seria funcionário da matriz e não da subsidiária, Ripper, Sena, Ruiz e Carnevali Filho corresponderiam aos quatro funcionários locais referidos pela Cisco Systems.Uma fonte dentro da Cisco, familiarizada com a operação da empresa na América Latina, considera a situação ''''catastrófica'''', mas revela que, dentro da Cisco Systems, ninguém fala no assunto. Só ontem o diário do Vale do Silício, o San José Mercury News, publicou uma notícia sobre o assunto. Mas a catástrofe pode ocorrer, uma vez que parece haver sólida conexão entre a matriz da Cisco e as falcatruas no Brasil: trata-se do escritório panamenho de advocacia Alemán, Cordero, Galnido & Lee, conhecido como Alcogal.A Cisco Systems é uma das grandes clientes do escritório, que também atende ao Citibank, Santander, Shell, Philip Morris, Pfizer, Siemens e Charles Schwab, entre outros.O Alcogal é apontado pela PF como o articulador da rede de empresas fantasmas que operava o contrabando e a fraude fiscal. Em telefonema para o Alcogal, ontem, o Estado só conseguiu conversar com Maritza, uma das muitas assistentes de Jaime Eduardo Alemán, sócio do escritório. Maritza, que se recusou a dar seu sobrenome, disse que não sabia nada do caso brasileiro, mas se apressou em informar que nenhum dos quatro sócios estava disponível.O Estado perguntou, então, um por um, sobre os quatro nomes que aparecem na lista da PF, com a explicação de ser ''''vinculado ao escritório Alcogal e sócio interposto de diversas offshore'''': Andrez Maximino Sanchez, John Benjamin Foster, Miriam Estela Rivera e Myrna de Navarro, todos panamenhos. A cada nome, Maritza respondia: ''''Não está''''. No final, disse: ''''Na verdade, eles nem trabalham aqui''''.

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