Carnevali nega ser sócio da Mude

Segundo o executivo, tudo o que ele fez foi com ?conhecimento, aprovação e controle? da matriz da Cisco

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O ex-vice-presidente da Cisco para a América Latina, Carlos Roberto Carnevali, nega ser sócio da distribuidora Mude e garante que tudo o que fez foi com "total conhecimento, aprovação e controle" da matriz da Cisco nos Estados Unidos. "A acusação que me fazem é de que sou sócio oculto da empresa Mude, o que é absolutamente inverídico", diz Carnevali, em nota ao Estado. "Não há qualquer elemento indiciário e indicativo de tal acusação, comprovando tal fato a abertura de meus próprios sigilos fiscal e bancário, já à disposição das autoridades."Em 16 de outubro, 40 pessoas foram presas numa operação da Polícia Federal, em conjunto com a Receita e o Ministério Público, para desmontar um esquema de fraudes no comércio exterior que teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos. O foco da operação foram a Cisco, fabricante americana de equipamentos de telecomunicações, e sua principal distribuidora brasileira, chamada Mude. Entre os detidos, estava Carnevali. O executivo foi ouvido pela Justiça na sexta-feira e liberado no sábado.Carnevali trouxe a Cisco para o Brasil, em 1994, e foi nomeado vice-presidente da empresa para América Latina e Caribe dez anos depois. "Estando prestes a completar 60 anos, após avançadas tratativas para deixar a posição de vice-presidente para a América Latina, tomei conhecimento através da mídia e com profunda estupefação de que fora demitido pela Cisco durante o período em que me encontrava custodiado, sem nem sequer haver sido notificado pela empresa", afirma.A Cisco diz, em nota, que "não vê nenhum benefício em entrar em debate público com o Sr. Carlos Roberto Carnevali", ressaltando que ele não faz mais parte do seu quadro de funcionários: "Baseado nas investigações internas em andamento, embora ainda não finalizadas, a empresa teve razão suficiente para acreditar que ele teve interesse em adquirir a Mude, o qual viola o código de conduta de negócios da empresa."Carnevali afirma que sempre agiu de acordo com a matriz: "Nos cerca de 13 anos em que estive vinculado à Cisco, nenhuma prática por mim adotada ocorreu sem o total conhecimento, aprovação e controle da matriz da Cisco nos Estados Unidos - visto que toda e qualquer operação comercial, contratação, acordo de parceiros, política de canais, concessão de crédito e determinação de níveis de desconto seguem um rigoroso processo de aprovação interna e que não se subordina diretamente às estruturas e operações de cada país".O executivo diz que sempre se pautou "por valores éticos e de transparência". "Provarei a minha inocência e buscarei o total ressarcimento dos danos morais e patrimoniais sofridos pelas injustas acusações."

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