NYT
NYT

Carona com gente boa de papo

Aplicativo de carona para longas distâncias, o BlaBlaCar comprou dois concorrentes: o Carpoling.com e o AutoHop

O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2015 | 02h05

Ainda que pegar carona tenha saído de moda há muito tempo, uma parte entusiasmada - e cada vez maior - da sociedade viaja usando serviços que devem algo ao hábito de se postar na beira da estrada e pôr o polegar para trabalhar. Esse tipo de serviço, criado para conectar remotamente motoristas e passageiros, ganhou novo impulso com o advento da internet e dos smartphones. Agora, o setor passa por um momento de consolidação. No dia 15 de abril, a líder de mercado BlaBlaCar anunciou que havia adquirido dois concorrentes na Europa: o Carpooling.com e o AutoHop.

Os caronistas não precisam mais ficar parados na beira da estrada, torcendo para que apareça uma alma bondosa ao volante. Hoje, as duas pontas dessa relação se encontram online, compartilhando informações pessoais, indicando o ponto de partida e o destino da viagem, a distância que o motorista está disposto a percorrer para apanhar passageiros e o valor que estes aceitam contribuir para cobrir os custos da viagem - sendo que parte desse valor vai para a operadora da plataforma. Outras informações, incluindo a vocação que motorista e passageiro têm para bater papo - daí o nome BlaBlaCar - tentam garantir certa compatibilidade de gênios antes que as partes embarquem numa viagem demorada.

Dar e pegar carona de um jeito mais seguro e menos constrangedor têm feito bem aos negócios. Embora serviços focados em transporte urbano, como o oferecido pelo aplicativo Uber, dominem as manchetes, plataformas como a BlaBlaCar, mais adequadas para quem precisa percorrer distâncias maiores, invadiram o território das empresas que operam com meios de transporte tradicionais, como trens e ônibus. (O setor de ônibus rodoviários só recentemente se acomodou, depois de um período em que empresas de baixo custo, como a Megabus, roubaram mercado de companhias mais antigas e convencionais.)

As últimas aquisições da BlaBlaCar ajudarão a empresa a ampliar sua atuação na Europa. Agora serão 20 milhões de usuários, em comparação com 6 milhões de um ano atrás, espalhados por 18 países. A incorporação de concorrentes pode se mostrar uma maneira barata de crescer: criar operações a partir do zero obrigaria a empresa a subsidiar as viagens até obter uma massa crítica de motoristas e passageiros.

"Há três ou quatro anos, atuávamos num mercado de nicho", admite Nicolas Brusson, um dos fundadores da BlaBlaCar. "Hoje, o mercado é de massa: atendemos à classe média." E, depois das últimas aquisições, com dois concorrentes a menos. A BlaBlaCar pode usar o fortalecimento de sua posição competitiva como trampolim para entrar em novos mercados, fora da Europa e da América do Norte. "Nossa intenção é levar o serviço para todos os lugares onde as pessoas usam carros para viajar entre as cidades", diz Brusson. Ele fala, sem exagero, em 100 milhões de consumidores potenciais. Trata-se de um mundo bem diferente daquele em que as pessoas usavam apenas o polegar em estradas desertas.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

Notícias relacionadas
    Mais conteúdo sobre:
    theeconomistcaronaaplicativos

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.