Ahmad Yusni|EFE
Ahmad Yusni|EFE

Carrefour cresce 9% no Brasil

Distância em vendas para Grupo Pão de Açúcar é a menor desde 2014

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2017 | 15h31

SÃO PAULO - O Carrefour reportou no quarto trimestre de 2016 crescimento de 9% nas vendas no Brasil no critério mesmas lojas, que considera os pontos de venda abertos há mais de um ano. O resultado no País contribuiu para que o grupo varejista francês superasse a expectativa de analistas, apurando receita de 23,37 bilhões de euros nos três últimos meses do ano.

A diferença entre o ritmo de crescimento das vendas dos dois maiores grupos de varejo alimentar no Brasil, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e o Carrefour, atingiu o menor nível em dez trimestres. O Carrefour reportou nesta quinta-feira, 19, crescimento de vendas de 9% no critério mesmas lojas (unidades abertas há mais de um ano) no Brasil no quarto trimestre de 2016, enquanto o GPA registrou alta de 7,7% nas vendas mesmas lojas no varejo de alimentos.

O Carrefour vem registrando um ritmo de crescimento de vendas superior ao do GPA desde o terceiro trimestre de 2014, mas a diferença atingiu seu menor nível desde então nestes três meses finais de 2016.

Considerando a totalidade das lojas, ou seja, incluindo pontos de venda abertos ao longo do ano, o Carrefour reportou que houve crescimento de 12,4% na receita no Brasil entre outubro e dezembro de 2016 ante iguais meses de 2015. O indicador considera o câmbio entre reais e euros constante. A receita líquida do GPA no varejo alimentar cresceu em ritmo semelhante, com alta de 12,1% na mesma comparação.

Apesar de o ritmo de crescimento de vendas mesmas lojas do GPA ainda ser menor do que o do seu principal concorrente, analistas avaliaram que os resultados do Carrefour trazem uma leitura positiva para as ações do Grupo Pão de Açúcar.

A percepção é de que o GPA está tendo sucesso nos planos de recuperação das vendas de seus hipermercados da bandeira Extra.

"Apesar de (as vendas mesmas lojas) do GPA estarem abaixo das registradas pelo Carrefour, acreditamos que esses números já sugerem que o GPA começou a colher os frutos de algumas iniciativas para melhorar as operações do Extra Hipermercado, ganhando market share de seu maior competidor", comentou em nota a equipe de análise da Brasil Plural.

Além dos esforços no Extra, outra explicação para um desempenho mais parecido de Carrefour e GPA está no fato de que o grupo controlado pelo Casino acelerou a abertura de redes de "atacarejo" no Brasil com a bandeira Assaí. Esse formato de loja vem conquistando a preferência dos consumidores mais sensíveis a preço e, no entanto, é um modelo de negócio com margem menor.

Profissionais do mercado avaliam que a recuperação nas vendas do GPA pode estar ocorrendo às custas de uma piora na rentabilidade, já que a recuperação das vendas do Extra passa por uma maior agressividade promocional.

"Acreditamos que o GPA deve continuar a ter um bom momento de vendas nos próximos trimestres, mas sob um cenário de margens menores, dada a crescente penetração do Assaí no total das vendas e uma maior pressão de margens na divisão Multivarejo (que inclui as bandeiras Extra e Pão de Açúcar)", concluiu o BTG Pactual.

Em um relatório elaborado ontem, antes da divulgação dos dados do Carrefour, o Credit Suisse corrobora com a visão de que o crescimento do GPA tende a ser mais forte pela frente. Apesar disso, os analistas Tobias Stingelin, Bruno Zanotta, Leandro Bastos, Mariana Hernandes e Antonio Gonzalez consideram que há incertezas relacionadas ao investimento na companhia.

"Do lado positivo, acreditamos que a estratégia está mais clara e que a companhia teve que reagir para ao menos estabilizar as vendas da bandeira Extra", comentaram os analistas. Eles ponderam que o movimento de maior agressividade promocional deve afetar as margens e que ainda é preciso aguardar por uma estabilização dos níveis de rentabilidade do negócio.

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