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Carro agora chama até socorro para o motorista

Novas tecnologias colocam o 'automóvel do futuro' cada vez mais próximo do consumidor

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Carros que providenciam socorro em caso de acidente e estacionam sozinhos, chaves que vão além de abrir e fechar as portas, pneus com chip de controle de desempenho e desgaste. O automóvel do futuro está cada vez mais presente no mercado brasileiro, ainda que a maioria não seja produzida no País e os preços ainda sejam pouco acessíveis.

Para popularizar os equipamentos que garantem mais segurança, conforto e conexão, as empresas dependem de escala, que aumenta ao longo do tempo.

"O avanço da tecnologia dos carros pode ser comparado ao dos computadores e telefones celulares, pela velocidade em que está ocorrendo", diz José Edson Parro, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Para ele, assim como o air bag e o sistema de freios ABS, as novas tecnologias serão introduzidas gradualmente, "à medida que a demanda maior justificar a queda de preços". Por enquanto, a maioria dos "carros inteligentes" à venda é das categorias premium e luxo importados.

A mais recente novidade chegará ao Brasil em janeiro e estará em todos os modelos da sueca Volvo, conhecida pelo pioneirismo na área de segurança. Dois botões instalados no teto (chamados de "on call" e SOS) acionam um computador interno conectado à rede celular da Claro.

Ao apertar os botões, o condutor é atendido pelo funcionário treinado de uma central que providencia guincho, ambulância e rastreia o veículo (via satélite), entre outras ações.

Em caso de acidente grave, a central é avisada automaticamente do acionamento do airbag e faz contato com o motorista. Se ele não responder, o socorro é enviado ao local. O sistema instalado na central, que funciona em Curitiba (PR), também mede a temperatura do carro. Se estiver alta, com risco de incêndio, o corpo de bombeiros é acionado.

"A empresa levou dez anos para desenvolver esse sistema inédito, que já equipa os nossos carros na Europa", informa o presidente da Volvo Car América Latina, Anders Norinder. "Para trazê-lo ao Brasil, o primeiro país da região a ter acesso a essa tecnologia, foram necessários dois anos em testes, adaptações e infraestrutura, como a adaptação da central em Curitiba que já existia para atender compradores de caminhões da marca."

Norinder afirma que a indústria está avançando rapidamente em tecnologias voltadas à segurança. Para tentar evitar acidentes, há, por exemplo, freios ABS, detectores de pedestres e alerta de distância do outro veículo. Se o acidente ocorre, há equipamentos para diminuir o impacto, como o airbag. "O "on call" é a evolução da segurança pós-acidente", diz.

De acordo com o executivo, a meta da companhia é que, "até 2020, não exista acidente fatal com carros Volvo".

Outra ambição, mais no curto prazo e voltada ao mercado local, é dobrar as vendas da marca no Brasil. Este ano, a previsão é de 2,4 mil unidades, 14% a mais que em 2009. "Faltou produto", informa Norinder. Para 2011, o objetivo da empresa é chegar a 5 mil unidades.

O modelo mais vendido da marca, o utilitário-esportivo XC60, que hoje custa R$ 139,2 mil na versão Comfort, passará a custar R$ 143,4 mil em janeiro. Segundo Norinder, o acréscimo não se deve apenas à inclusão do sistema "on call", mas também a algumas alterações incluídas por conta da mudança da linha 2010 para a 2011.

Ponto cego. O sedã Fusion, importado do México pela Ford, vem com alerta de ponto cego, que acende uma luz nos dois retrovisores para avisar da presença de pessoas em locais fora da visão do motorista. O modelo também tem uma tela de LCD com diferentes sistemas de entretenimento que funcionam por comando de voz.

Segundo Klauss Mello, gerente de engenharia da Ford, futuramente serviços de internet poderão ser acessados via celular. "Isso já funciona nos Estados Unidos, mas aqui depende de estrutura das empresas de serviço de telefonia". O objetivo, afirma ele, é permitir ao condutor "manter as mãos no volante e os olhos na estrada".

Outra inovação no Fusion e que também está presente no utilitário-esportivo Edge, importado do Canadá, é o alerta de tráfego cruzado. "Se o carro está estacionado em uma vaga apertada no shopping, por exemplo, quando a ré é acionada, um alerta sonoro informa se há outros carros nas vias perpendiculares", explica Mello.

Também virá da Volvo outro sistema que acaba de ser lançado na Europa, de detecção de pedestres. Um sensor instalado na grade e uma câmara no para-brisa percebem a presença de pessoas que atravessam a rua na frente do veículo e emitem um sinal sonoro e visual. Se o condutor não frear, o próprio sistema para o carro.

O dispositivo vai equipar o novo sedã S60, que será importado no próximo ano com preços na faixa de R$ 180 mil. O equipamento também percebe a iminência de uma colisão com o carro da frente e freia o veículo se não houver reação do motorista.

No Chevrolet Camaro, modelo canadense recém-lançado no País por R$ 185 mil, informações como velocidade, rotação do motor e a estação de rádio são projetadas em um display no para-brisa. O sistema nasceu em projetos militares que a General Motors executou para as forças armadas norte-americanas.

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