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Carro compartilhado ganha adeptos

Sistema que permite pegar o veículo em um local e devolver em outro fez demanda pelo serviço aumentar na Europa e nos EUA

Sally McCrane, The New York Times , O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2013 | 02h19

BERLIM - Marc Clemens, fundador e diretor-presidente do Sommelier Privé, um serviço de vendas de vinho online, desistiu de ter um carro um ano e meio atrás. Quando quer dirigir até o trabalho pela manhã, ele consulta seu smartphone para verificar onde uma BMW, um Smart ou um Mini estacionou, e vai apanhá-lo. Ao chegar a seu destino, Clemens estaciona o carro na rua e esquece o assunto.

Ele se apoia exclusivamente em dois serviços de compartilhamento de carros, DriveNow e Car2Go. "Uso para ir ao trabalho, para reuniões de negócios, ou para ir a um bar. Gosto do sistema porque não é preciso devolver o carro ao mesmo lugar."

  

O compartilhamento de carros já existe há décadas na Europa e engrenou nos Estados Unidos com a Zipcar. Esses serviços exigem que os membros peguem os veículos num determinado lugar, que pode ser ou não conveniente. Os usuários geralmente precisam reservar os carros com antecedência para períodos de tempo previamente acertados e pré-pagos e, depois de usarem o carro, precisam devolvê-lo no mesmo lugar - fatores que limitaram a atratividade do compartilhamento de carros.

Berlim se tornou, porém, a maior cidade do mundo em compartilhamento de carro sem devolução no mesmo lugar. Esses serviços, chamados "free-floating", usam GPS e aplicativos de smartphone para flexibilizar o compartilhamento. Assim, os usuários podem pegar os carros que estejam estacionados em ruas próximas a eles e, depois, deixar o veículo onde encontrarem vaga para estacionar perto de seu destino. Eles são cobrados pelo tempo em que passaram dirigindo.

O novo sistema de compartilhamento virou sensação. Desde que entrou em operação, na Alemanha, há dois anos 183 mil pessoas já se inscreveram. O número é relevante, já que os sistemas de compartilhamento estabelecidos há mais tempo na Alemanha têm 262 mil membros. "Isso vai alterar o compartilhamento de carros", disse Susan Shaheen, diretora do Centro de Pesquisa de Sustentabilidade do Transporte na Universidade da Califórnia.

Duas das maiores montadoras da Alemanha apoiam integralmente a ideia. A DriveNow é uma joint venture da BMW com a companhia locação de carros Sixt, e a Car2Go é uma subsidiária da Daimler. (Nos EUA, a DriveNow é uma empresa exclusivamente da BMW).

"Nós crescemos tendo de tudo. Nossos pais possivelmente tinham dois carros. E agora, na atual geração, há uma tendência para economias compartilhadas", disse Michael Fischer, um porta-voz da DriveNow na Alemanha. "Na condição de fabricante automotiva, você gostaria de perder esse grupo? Ou preferiria oferecer algo a ele?"

Sem restrições. A Car2Go, que usa frotas de carros Smart da Daimler, foi pioneira do modelo sem devolução com um projeto piloto em Ulm, na Alemanha, em 2009. "Cada vez mais pessoas em cidades não querem ter seus próprios carros. Mas, por vários motivos, o compartilhamento de carro não era atraente", disse Andreas Leo, porta-voz da Car2Go na Europa. "Era preciso reservar com antecedência, tinha de pagar uma taxa mensal quer usasse o carro ou não. Nós estudamos a tecnologia e decidimos desenvolver o compartilhamento de carro sem essas restrições." Agora, em 21 cidades, a Car2Go registra 400 mil membros. Berlim, com 1,2 mil carros, tem a maior frota da companhia. A DriveNow, cuja frota é formada por Minis e outros BMWs, atua em quatro cidades alemãs e tem 700 carros em Berlim.

Outras empresas automobilísticas já notaram e estão entrando no jogo. No ano passado, a Flinkster, uma empresa de compartilhamento baseada em estações gerida pela Deutsche Bahn, a companhia ferroviária alemã, associou-se a uma empresa de compartilhamento sem devolução da Citroën, a Multicity, para um projeto piloto que hoje tem 350 carros operando em Berlim. "As coisas estão se desenvolvendo e podemos tentar de tudo, de bicicletas a carros elétricos, para melhorar a cadeia da mobilidade", disse Susan Sass, uma porta-voz da Deutsche Bahn. "Podemos observar do que os clientes gostam." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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