Carro elétrico ainda não é viável economicamente

A preocupação do governo brasileiro em diversificar a matriz energética brasileira é importante. Ter um leque de ofertas de combustíveis alternativos para movimentar a frota de veículos dará ao consumidor mais opções de escolha, além de ajudar o meio ambiente. Porém, há passos a serem seguidos. O carro elétrico, aposta principalmente dos EUA e da Europa, ainda não é economicamente viável. Seu custo é elevado, não há rede de abastecimento e não se sabe direito o que fazer com as baterias quando forem descartadas.

Cenário: Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

Vários países anunciaram elevados subsídios para a compra do carro elétrico. A China e a Espanha, por exemplo, prometem cerca de US$ 8 mil (R$ 14,7 mil, pela cotação de ontem) em descontos, além de incentivos para as empresas no desenvolvimento da tecnologia e rede de distribuição de energia. Mesmo com subsídios, o Nissan Leaf - um dos primeiros modelos elétricos a ser oferecido em maior escala -, deve custar, na Europa, 30 mil (R$ 37,2 mil).

O governo brasileiro, para cortar temporariamente o IPI do carro popular (de 7%) e reduzir à metade o de modelos mais potentes, enfrentou críticas dentro e fora de casa. Hoje, o IPI do carro elétrico seria de 25%.

As montadoras estão investindo no aperfeiçoamento do carro flex por acreditar ser esta uma opção viável ao País até que se encontre uma solução melhor, levando em conta o poder de compra dos brasileiros. Elas não precisam gastar dinheiro no desenvolvimento de carros elétricos porque vão adotar a tecnologia de suas matrizes, quando houver interesse. Dependendo da demanda, podem importar para atender nichos específicos do mercado. A produção só é viável se tiver escala.

Já o veículo híbrido (movido a eletricidade e outro combustível que pode ser gasolina, etanol ou diesel) não atrai as fabricantes nacionais. Para elas, o País pode pular essa etapa. O híbrido é uma solução só para quem não tem o flex, disse recentemente, durante visita ao Brasil, o presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn.

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