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Carro elétrico avança no mercado americano

Pelo menos 40 modelos serão lançados nos EUA; híbridos, que também usam gasolina, são considerados porta de entrada pelas montadoras

John R. Quain/ THE NEW YORK TIMES, Impresso

14 de maio de 2017 | 05h00

Até recentemente, se alguém quisesse trocar um carro que consome muita gasolina por um elétrico teria poucas escolhas. Poderia optar por um veículo de luxo de US$70 mil, como o Tesla Model S, ou escolher um mais modesto, como o Nissan Leaf, de US$31 mil. Este ano, no entanto, tudo parece estar mudando.

Mais de 40 novos veículos elétricos serão lançados nos Estados Unidos, segundo a empresa de pesquisa Baum & Associates. Estre os modelos figuram o sedã elétrico Clarity, da Honda, e a minivan Pacifica, da Chrysler. Mesmo a pequena linha Smart Fortwo vai abandonar a gasolina totalmente nos EUA e adotar apenas propulsões elétricas. 

O mais importante, segundo as montadoras, porém, promete ser a proliferação de híbridos plug-in parecidos com o Volt, da General Motors. Os híbridos plug-in podem ser usados no modo elétrico ou a gasolina, quando a bateria acaba. Essa tecnologia está se provando suficientemente flexível para uma variedade de veículos, desde carros esporte até compactos, e diminui o medo do consumidor de que o carro fique sem energia antes de encontrar uma estação de carregamento. 

Os híbridos plug-in vão brigar lado a lado com versões diferentes do mesmo carro. O atual Niro, da Kia, por exemplo, híbrido que usa um motor a gasolina e o freio para recarregar a bateria, competirá ainda este ano com um irmão híbrido plug-in, com características e comodidades semelhantes e preço parecido, cerca de US$23 mil. 

“Queremos ser neutros em termos de preço para o consumidor”, explica Steve Kosowski, gerente de estratégia de longo alcance da Kia Motors America. “Quando você entra na loja, a ideia é que a pessoa pense: Por que não comprar este?” A Mercedes-Benz, que terá sete híbridos plug-in e modelos totalmente elétricos até o fim do ano, adota filosofia de mercado parecida com seu carro-chefe, o sedã S-Class, cujo preço começa em US$100 mil. “A estratégia é deixar o mais recente plug-in S-550e com o mesmo preço do equivalente V-8”, explica Paul La Penta, supervisor de eletromobilidade da Mercedes. 

Um dos veículos líderes de desempenho da Porsche este ano será o próximo 2018 Panamera Turbo S E-Hybrid, um híbrido plug-in de quatro portas que fará de zero a 100 quilômetros por hora em pouco mais de três segundos. “O maior benefício desses carros é o torque”, diz Frank Wiesmann, porta-voz da Porsche, referindo-se à superioridade dos motores elétricos na entrega de um impulso inicial com o carro parado. 

Na verdade, todas as montadoras estão esperando que os híbridos plug-in sejam a porta de entrada para veículos totalmente elétricos. Quando a GM lançou o plug-in Volt, mais de sete anos atrás, recebeu críticas consideráveis da imprensa por não atender às altas expectativas. A questão hoje é, com tantas empresas seguindo sua liderança, ela se sente vingada? “Há muita pressão quando se é o primeiro”, diz Fred Ligouri, porta-voz da empresa. “Mas mostramos que existe uma demanda dos clientes por esse produto.”

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