Carro não é um ativo como obra de arte

Especialistas do setor alertam para os riscos de investir em carros clássicos de olho em retorno financeiro

O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2014 | 02h04

Comparar um carro com uma obra de arte, tratando-o como uma classe de ativo pode ser prematuro, dizem especialistas. "A arte está pelo menos uma geração na frente e não tenho certeza se os carros vintage chegarão aí", diz Evan Beard, diretor do grupo financeiro e de arte Deloitte's. Sem contar que o transporte, armazenamento e manutenção de um carro é mais difícil. "Há 20 anos, ninguém considerava carro um investimento."

"É um hobby acessível", diz Eric Minoff, especialista em carros na Bonhams, sobre colecionar carros. "Você consegue um belo carro por US$ 15 mil ou, se chegar com alguns milhões de dólares, pode gastar tudo isso também". Ele é proprietário de um Porsche 911, ano 1968, e diz que os Porsche 911 de meados dos anos 80 têm um valor de venda em torno de US$ 15 mil.

Keith Martin, da Sports Car Market, oferece aos colecionadores este conselho: "em primeiro lugar, sente-se no carro. Não gaste seu fundo de previdência. E certifique-se de que sabe o que está comprando. Se acha que pode lucrar com carros antigos, provavelmente acha que pode ter lucro na bolsa".

Minoff concorda que colecionar carros tem de ser encarado como hobby. "Há um enorme número de pessoas que perdeu dinheiro. O objetivo é ter prazer." Mas, em comparação com os carros novos, "é uma proposta que retém seu valor. Você pode comprar uma Mercedes 280 SL, ano 1970, por US$ 80 mil, ficar com ela por alguns anos e terá um ativo valendo ainda US$ 80 mil. Os carros novos desvalorizam com enorme rapidez".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.