Carro sem motorista em versão europeia

Projeto da Volvo permite que motoristas sigam um caminhão sem precisar controlar o veículo

JIM NASH, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h16

Pesquisadores na Europa vêm trabalhando em um novo conceito de carro muito conhecido de quem assistiu à filmes sobre os velhos desbravadores do Oeste americano. O projeto envolve a criação de um sistema de comunicações eletrônico que permite que um comboio de carros puxados por um caminhão percorra as estradas de maneira semiautônoma, mas sem a complexidade dos recursos dos veículos concebidos pelo Google que prescindem de um condutor.

A Volvo - que fabrica carros e caminhões e tem diferentes proprietários - chamou o projeto de "platooning", ou comboio, e o vê como uma ponte a ser percorrida por carros sem motorista. Pode parecer simples como quando um grupo de pilotos da Nascar fica alinhado para uma corrida a 320 quilômetros por hora em Talladega, mas essa ponte está ainda distante.

Em vez de velocidades aumentadas, que são incentivos para reduzir o espaço entre um carro e outro numa pista de corrida, o objetivo do "comboio" é reduzir os acidentes causados por erros do piloto.

Erik Coelingh, chefe da equipe técnica de tecnologia de suporte e segurança dos motoristas na Volvo Car, na Suécia, disse numa entrevista que seu grupo participou no ano passado de testes bem sucedidos envolvendo um semi-trailer que transportava um outro caminhão e três carros por estradas e rodovias europeias.

Os testes foram parte de um projeto chamado Safe Road Trains for the Environment, ou Sartre, financiado pela União Europeia.

Os veículos estavam aparelhados com sistemas de radar e laser informando a velocidade adequada, os sistemas de freio e de movimentação na pista, e também com câmeras de vídeo instaladas atrás do veículo. Depois de obter permissão do veículo da frente, os carros e caminhões do comboio se ligaram por meio de uma conexão por fio, e os computadores assumiram a tarefa.

Enquanto o condutor do caminhão à frente os conduzia, os motoristas do veículos que seguiam atrás - cada um a uma distância de cerca de 3,5 metros - abandonaram o controle.

Avisos sobre manobras de emergência eram transmitidos instantaneamente para o comboio.

A economia de combustível aumentou entre 10% e 20% de acordo com os participantes, porque o fluxo de ar atrás de um veículo longo e estreito cria menos turbulência que consome combustível.

Viabilidade. Indagado sobre a viabilidade comercial do sistema, Coelingh foi direto "ainda não chegamos aí". Afirmou que pode levar uma década até o sistema de "comboio" tornar-se uma realidade.

A pesquisa da Volvo envolve tecnologia que as montadoras já oferecem, como também soluções esperadas nos próximos anos, incluindo comunicações via computador entre um veículo e outro. A instalação desses equipamentos num novo veículo hoje aumentaria o seu preço de venda em cerca de US$ 5,3 mil, disse Coelingh. E inclui sistemas duplicados no caso do principal falhar.

Ainda segundo Coelingh, o projeto está começando a oferecer soluções para tornar a condução de um veículo mais segura. "Mas temos muitas outras questões a resolver", disse ele.

Como o intervalo ideal entre os veículos, três metros e meio, pode ser uma distância muito exígua, os pesquisadores da Volvo concluíram que, nessa distância, a uma velocidade de estrada, mesmo os computadores não conseguem sempre ler as marcações da pista necessárias para manter os veículos na posição correta. Além do que, os pneus do caminhão lançaram substâncias abrasivas da estrada para o radiador do carro que segue atrás do caminhão que lidera o comboio.

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