Carros campeões de venda perdem espaço no mercado

Participação dos seis principais modelos fabricados no País cai de 57% em 2004 para 36%; concorrência com importados é um dos motivos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Os seis principais modelos fabricados pelas quatro grandes montadoras brasileiras - Gol, Palio, Corsa, Celta, Uno e Fiesta - respondiam por 57% das vendas de automóveis no País em 2004, ano em que o mercado interno começou a crescer e não parou mais. Este ano, quando novo recorde é esperado, os modelos seguem na lista dos mais vendidos, mas a participação conjunta caiu para 36% de janeiro a abril.

Nesse intervalo, houve uma enxurrada de lançamentos, o poder aquisitivo do brasileiro melhorou, o câmbio favoreceu as importações e uma leva de novas marcas chegou ao Brasil. No início, disputavam nichos de mercado com pouca participação das marcas nacionais. Agora, começam a atacar seu principal segmento de atuação, o de carros populares, e também os de hatches pequenos e médios.

"É a primeira vez, desde a abertura às importações, em 1990, que as quatro maiores fabricantes enfrentam essa concorrência", afirma Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC, responsável pela importação dos chineses J3 e J3 Turin, da marca JAC.

No mês passado começou a ser vendido o Chery QQ, compacto chinês de R$ 22.990. Antes, o mais barato no País era o Uno Mille, a R$ 23.220. Além do preço, o importado tem itens que não estão disponíveis no modelo da Fiat, alguns deles nem como opcionais: freios ABS, airbag, vidro elétrico, som, ar-condicionado e direção elétrica.

Para o consultor de mercado da CSM Worldwide, Fernando Trujillo, "o consumidor mudou seu comportamento e hoje, além do preço acessível, busca carros com maior conteúdo". Os importados estão atendendo a essa demanda.

Segundo a imprensa especializada, que testou o QQ, o compacto deixa a desejar em segurança e acabamento. As vendas ainda são pequenas: menos de 300 unidades até agora. Mas, se a trajetória do modelo seguir a de outros carros asiáticos, a disputa pelo consumidor pode ser acirrada.

Importados. Segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), o coreano Hyundai i30 2.0 é atualmente o hatch médio mais vendido no Brasil. Foram 13 mil unidades nos primeiros quatro meses do ano, ante 9,7 mil do Punto, da Fiat, feito em Minas Gerais, e 8,5 mil do Focus, da Ford, fabricado na Argentina. Modelos vindos do país vizinho e do México, além de receberem componentes fabricados no Brasil, são isentos de Imposto de Importação (II), por causa de acordos comerciais. Produtos de outras regiões recolhem 35% de II.

Na lista dos sedãs grandes, onde só tem importados, os dois mais vendidos este ano também são da Hyundai: o Azera e o Sonata, com 2,8 mil e 2 mil unidades cada. Modelos importados das matrizes pelas fabricantes locais, como o Malibu, da GM, e o Passat, da Volks, estão na terceira e oitava posições, respectivamente, com 632 e 245 unidades.

Os importados já respondem por 22% das vendas, participação que era de 4% em 2004. Boa parte é trazida pelas próprias montadoras.

As marcas sem fábricas locais, ligadas à Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos (Abeiva), importaram este ano 52 mil veículos, ou 5% das vendas totais de automóveis e comerciais leves. As nove marcas chinesas no País respondem por menos de 1% do mercado. Nas contas da consultoria CSM, até 2014 elas terão 5% de participação, mesmo porcentual citado por Habib.

Os dois modelos da JAC custam menos de R$ 40 mil, faixa de preço em que mais de 80% das vendas são da Fiat, Ford, GM e VW. A marca entrará em segmentos mais altos com a chegada, em agosto, da minivan J6, com preços entre R$ 60 mil e R$ 65 mil.

Os importados também estão entrando numa seara antes restrita aos carros brasileiros, a do motor flex. A coreana Kia já tem à venda o Soul flex, lança nas próximas semanas o hatch Picanto e, no segundo semestre o sedã Cerato. Em janeiro, será a vez do utilitário Sportage.

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