Carros populares mais caros só em 2003

As montadoras chegaram a um acordo sobre a proposta da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de unificar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que hoje é de 10% para os carros populares e de 25% para os demais. Em reunião realizada ontem com os executivos das principais montadoras do País, a determinação de um prazo de dois anos para a implantação da mudança fez com que as montadoras concordassem com a proposta. Dessa forma, a Fiat, que a princípio era contrária à medida por ter sua produção voltada principalmente para os carros populares, terá tempo para redirecionar sua linha de produtos. Isso porque a mudança implicará em aumento nos preços dos carros populares e barateamento dos demais. A intenção é criar um índice intermediário. Já se cogita o valor de 15% para todos os carros, mas ainda não há consenso sobre o assunto. Para Fábio Silveira, coordenador de estudos setoriais da consultoria Tendências, a unificação da alíquota aumentaria a possibilidade de aquisição de um carro de médio porte ou de luxo, pois a redução de 10 pontos percentuais, como está sendo cogitado, seria bastante significativa no preço final do veículo. "Com a disponibilidade de crédito e a redução da alíquota do IPI, ficará mais fácil comprar um carro fora das especificações do carro popular", diz. Além disso, ele acredita que, no longo prazo, a mudança contribuirá para que as montadoras invistam mais em tecnologia para modelos mais caros. Os populares, no entanto, continuariam atendendo a um público com menor poder aquisitivo. Segundo, Paulo Borin, diretor da concessionária Igapó da Volkswagen, mesmo que o aumento do imposto para os populares diminua as vendas num primeiro momento, elas devem voltar ao normal em pouco tempo. Hoje o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, vai se reunir com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, para detalhar o projeto. Pinheiro Neto disse ter conversado ontem mesmo com Maciel por telefone e o secretário, segundo ele, já teria concordado com o prazo de dois anos.

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