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Carros têm o melhor mês da história em vendas

Pacote de aperto ao crédito não freia o mercado e indústria deve vender em dezembro 385 mil veículos; 2010 também é recorde

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Antes mesmo de terminar, dezembro já é o melhor mês da história em vendas de carros novos, apesar das medidas de restrição ao crédito adotadas pelo governo. Até quarta-feira, foram licenciados 363,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O melhor desempenho anterior havia ocorrido em março, último mês da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com 353,7 mil unidades. No acumulado, o resultado também é recorde, com 3,497 milhões de veículos vendidos até agora.

A engenheira de alimentos Júlia Salzman, de 26 anos, foi uma das consumidoras que aproveitaram para comprar um modelo zero ontem, seu primeiro automóvel. Moradora da Barra Funda, na zona oeste, ela trabalha em Itapevi, na Grande São Paulo, e sai de casa às 5h45 para ir de trem. "Agora, vou poder sair por volta de 6h30", diz ela, que adquiriu um Fiat Palio com 40% de entrada e 60 parcelas de R$ 390.

"Esperei o fim do ano porque existem promoções por causa da mudança de linha", diz Júlia. Em relação ao mês passado, as vendas em dezembro cresceram 10,7% (até dia 29) e 24% na comparação com igual mês de 2009.

A indústria iniciou o mês com previsão de vender 316,5 mil veículos, número que foi alterado para 355 mil e que agora está em 385 mil. "Dezembro tradicionalmente é bom, mas este mês foi surpreendente", diz o gerente de marketing da General Motors, Hermann Mahnke.

No ano, os negócios superam em 11,3% as vendas totais de 2009. Se a projeção para este mês se confirmar, o crescimento será de 12%, acima dos 9,8% previstos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo Mahnke, o pacote de aperto ao crédito editado pelo Banco Central - que aumentou o juro nas compras sem entrada - levou consumidores a antecipar negócios. Além disso, as empresas realizaram ações de vendas, como feirões e sorteios.

Mahnke lembra ainda que o pacote do BC não extinguiu os planos de longo prazo sem entrada, "mas os tornou menos convidativos". O Celta, por exemplo, era vendido no início do mês em 60 parcelas de R$ 598, sem entrada. Hoje, a prestação é de R$ 719.

O gerente espera queda de vendas em janeiro, movimento também visto como tradicional para o período, mas informa que a GM fará "grande liquidação" na primeira semana. A Anfavea prevê novo aumento de vendas em 2011, mas em menor ritmo, para cerca de 3,6 milhões de veículos.

Para o economista Ayrton Fontes, montadoras "forçaram" o faturamento para as revendas este mês, para atingir metas de vendas, e vários licenciamentos foram feitos pelos próprios lojistas. "Estimamos em mais de 20% o estoque de carros lacrados nos pátios das lojas, o que deve alavancar promoções gigantes em janeiro."

Mais vendidos. No segmento de automóveis e comerciais leves, que vendeu 344,5 mil unidades em dezembro e 3,313 milhões no ano, a Fiat encerra o ano como líder de mercado, com 22,8% de participação no acumulado. A Volkswagen tem 20,9% e a GM, 19,8%. Entre as principais marcas, a Ford segue em quarto lugar, com 10,1% das vendas e a Renault em quinto, com 4,8%.

No ranking dos modelos mais vendidos, o Gol segurou a liderança pelo 24º ano, com 292,2 mil unidades. O Uno se consolidou no segundo lugar, com 227,2 mil unidades (57% delas da nova versão). Na sequência estão Celta (154,3 mil), Fox (142,9 mil) e Corsa sedã (140,6 mil).

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