ESG

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Carta de 17 ex-ministros e ex-presidentes do BC cobra do governo desmatamento zero

Documento divulgado nesta terça-feira propõe uma virada na gestão ambiental para que haja uma “recuperação verde” da economia brasileira após a crise decorrente da pandemia

Eduardo Rodrigues e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 10h19
Atualizado 15 de julho de 2020 | 00h22

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Depois dos investidores estrangeiros e dos empresários brasileiros, agora é um grupo de 17 ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central que vem a público pressionar o governo por conta da questão ambiental. O grupo divulgou nesta terça-feira, 14, uma carta cobrando ações para que o desmatamento, tanto da Amazônia quanto do cerrado, caia para zero. O documento propõe diretrizes para o alcance da chamada economia de baixo carbono, como o investimento em novas tecnologias e o aumento da cooperação internacional.

“Nós, ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central do Brasil, defendemos que critérios de redução das emissões e do estoque de gases de efeito estufa na atmosfera e de resiliência aos impactos da mudança do clima sejam integrados à gestão da política econômica. Esses critérios já são, e serão cada vez mais, baseados em tecnologias compatíveis com o aumento da produtividade da nossa economia, a geração de empregos e a redução da desigualdade no Brasil”, diz a carta, coordenada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pelo Instituto O Mundo Que Queremos.

“Não temos como ter crescimento sustentável no curto e no médio prazos sem levar em consideração questões de sustentabilidade e meio ambiente, claramente interligadas no mundo e no Brasil”, disse o ex-presidente do BC Ilan Goldfajn, durante entrevista online após a divulgação de carta. “A imagem do Brasil está ligada a isso.”

O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, por sua vez, disse que já seria um “grande avanço” se o governo não desse subsídios a setores que afetam os níveis de emissão de carbono. “Se não fosse pelo desmatamento, nossa pegada de carbono já seria muito competitiva.” 

Guinada

Na avaliação dos signatários da carta, a saída da crise pós-covid-19 oferece as oportunidades para essa guinada ambiental na economia, com investimentos públicos e privados nessa direção. Eles lembram as vantagens comparativas do País na área e recomendam a eliminação de subsídios a combustíveis fósseis, a emissão criteriosa de ativos financeiros verdes, a mobilização de fontes de financiamento provado para iniciativas de mitigação e a ampliação da cooperação internacional.

Para Persio Arida, também ex-presidente do BC, além do debate sobre a desigualdade social acelerada pela crise do coronavírus, será preciso discutir o meio ambiente. “A covid é um exemplo claro de que o mundo é interligado. Se a covid é um problema de saúde em escala global, o meio ambiente também é um problema em escala global”, afirmou.

Outro ex-presidente do BC, Arminio Fraga, disse que os impactos de descuidos no meio ambiente podem ser maiores que os da crise do coronavírus. Para ele, o Brasil faz bobagem ao não cuidar de si mesmo nesse tema. “Além de atrair mais investimentos, gestão ambiente melhora a vida das pessoas.” 

Assinam a carta os ex-ministros da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, Maílson da Nóbrega, Zélia Cardoso de Mello, Marcílio Marques Moreira, Gustavo Krause, Fernando Henrique Cardoso, Rubens Ricupero, Pedro Malan (também ex-presidente do BC), Joaquim Levy, Nelson Barbosa, Henrique Meirelles (também ex-BC) e Eduardo Guardia. Entre os ex-presidentes do Banco Central que assinaram a carta estão Gustavo Loyola, Pérsio Arida, Armínio Fraga, Alexandre Tombini e Ilan Goldfajn.

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