Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Carta de Parente: não serei empecilho para que alternativas sejam discutidas

Executivo disse que a greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para o País desencadearam um 'intenso e emocional' debate e colocaram a política da Petrobrás sob questionamento

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 13h34

BRASÍLIA - Pedro Parente entregou nesta sexta-feira, 1º, ao presidente Michel Temer uma carta de demissão em caráter "irrevogável e irretratável" da presidência da Petrobrás. Na carta, ele defende as políticas adotadas por sua gestão na empresa, mas diz que não será um "empecilho" para discussão de mudanças. Parente se reuniu no fim da manhã com Temer e, logo em seguida, a Petrobrás divulgou fato relevante na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), anunciando da demissão, o que fez as ações da empresa caírem fortemente e as negociações serem suspensas. 

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Na carta, Parente disse que a greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para o País desencadearam um "intenso e emocional" debate e colocaram a política da Petrobrás sob questionamento. "Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no País. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel", afirmou.

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O presidente da estatal diz que, diante desse quadro, novas discussões serão necessárias. "Fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente", concluiu, dizendo ter compromisso com o bem público e não ter apego a cargos ou posições. "Não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas".

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Parente se colocou à disposição para fazer a transição "pelo período necessário" e disse que Temer tem sido impecável na visão de gestão profissional da Petrobras e que a empresa foi gerida em seu período à frente dela sem qualquer interferência política. Ele sugere a Temer que, para que essa trajetória continue, ele se apoie nas regras corporativas e na contribuição do Conselho de Administração para a escolha do novo presidente da Petrobrás.

O executivo defendeu as medidas adotadas na sua gestão, que incluem a nova política de preços, que passou a contar com reajustes diários acompanhando o valor do petróleo no exterior e a variação cambial. "A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas. Os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços", afirmou.

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Parente disse ter entregado o que prometeu com o apoio do conselho da estatal e dos funcionários. Na carta, ele lembra que, quando foi convidado por Temer a ser presidente da empresa, os dois conversaram sobre a visão do executivo para a recuperação da empresa sem aportes de capital do Tesouro Nacional, que, segundo ele, na ocasião se mencionava ser indispensável. "Vossa Excelência concordou inteiramente com a minha visão e me concedeu a autonomia necessária para levar a cabo tão difícil missão. Durante o período em que fui presidente da empresa, contei com o pleno apoio de seu Conselho", afirmou.

Ele defendeu que a Petrobras é hoje uma empresa com "reputação recuperada" e lembrou os resultados financeiros positivos divulgados no último resultado. "E isso tudo sem qualquer aporte de capital do Tesouro Nacional, conforme nossa conversa inicial. Me parece, assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a Petrobras estão lançadas", completou. 

 

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