Cartão BNDES precisa ser mais conhecido pelos empreendedores

Aos 10 anos, instrumento de financiamento voltado para as micro, pequenas e médias empresas tem muito espaço para crescer

DANIELA ROCHA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2012 | 00h00

Ao completar 10 anos, o cartão BNDES, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ainda tem muito espaço para crescer. Com o objetivo de financiar micro, pequenas e médias empresas com faturamento bruto anual até R$ 90 milhões, ele funciona como um cartão de crédito. O limite chega a R$ 1 milhão e as compras podem ser parceladas de 3 a 48 meses. Pré-fixada mensalmente, a taxa de juros vigente é de 0,91% ao mês.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), falta conhecimento dos empreendedores sobre o cartão BNDES.

"Fazemos um intenso trabalho de divulgação, não somente pelo fato de diversas empresas não conhecerem o produto, mas pela percepção equivocada de que é complicado obter o cartão", destaca Danilo Garcia, economista da gerência executiva de Política Econômica da CNI.

De acordo com ele, a falta de informação costuma ser prejudicial, porque os empresários acabam usando outras linhas de financiamento, muitas delas de curto prazo, não indicadas para aquisição de máquinas e equipamentos e com taxas de juros elevadas.

"Conscientizamos as empresas para que captem crédito de forma mais eficiente. A taxa do cartão BNDES é muito competitiva, se comparada com outras linhas de crédito oferecidas para pessoas jurídicas no mercado", afirma o economista.

Para o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, a disseminação de informações tem de ser feita de forma contínua no ambiente de negócios de pequeno porte. A entidade é parceira do BNDES nessa missão desde o início das operações. "Nos eventos que promovemos na área de acesso a serviços financeiros, procuramos divulgar o cartão BNDES."

Segundo Barretto, 98% dos cartões são emitidos para as micro e pequenas empresas, responsáveis por 91,5% das compras totais. "O valor médio de cada transação é de R$ 14,5 mil, o que reforça a vocação e a efetividade do cartão no financiamento das empresas de menor porte", comenta Barretto.

Aquisição. Para obter o cartão, o primeiro passo é entrar no portal cartão BNDES (www.cartaobndes.gov.br) e preencher uma proposta de solicitação com dados gerais da empresa (CNPJ e CNAE fiscal) e selecionar o banco emissor e a bandeira de preferência. Depois, há necessidade de comparecer até a instituição financeira emissora escolhida - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banrisul, Bradesco ou Itaú.

O presidente do Sebrae afirma que o cartão se tornou um dos instrumentos de mais fácil acesso pelas micro e pequenas empresas. "Sua aquisição não é vinculada à apresentação de projeto de viabilidade econômica", comenta Barretto.

No entanto, ele avalia que é necessário aprimorar ainda mais a abordagem dos bancos credenciados com o público-alvo. Isso porque, apesar de os empreendedores solicitarem o cartão via internet, no portal do BNDES, a operação somente é concretizada presencialmente nas agências bancárias.

"Muitas vezes, as exigências desses bancos vão além das necessárias para se ter o cartão, como cadastros e relacionamento. As questões cadastrais são o ponto de dificuldade", explica Barretto. O Sebrae está dialogando com os bancos credenciados pelo BNDES para que haja maior simplificação.

"Cada banco tem sua forma operacional de análise de crédito, mas o processo é mais ágil do que outras linhas do BNDES", acrescenta Danilo Garcia, da CNI.

Exigências. Em linhas gerais, para obter o cartão as empresas precisam apresentar registros contábeis de suas atividades e os comprovantes de que estão em dia com o INSS, o FGTS e os impostos. Além disso, não devem ter restrições na Serasa, no SPC Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e no Banco Central.

Somente as microempresas estão dispensadas de apresentar as Certidões Negativas de Débito (CNDs) relativas a tributos, desde que não estejam inscritas no Cadin (Cadastro Informativo dos Créditos não quitados do setor público federal). A Lei Geral das Microempresas garante esse fator extra de simplificação.

Com o cartão nas mãos, as compras poderão ser feitas ao acessar o portal do BNDES, onde há um catálogo com 47 mil fornecedores cadastrados e 207 mil itens disponíveis, entre máquinas, equipamentos, computadores, veículos, autopeças e insumos para os setores têxtil, de confecção, de embalagens, coureiro-calçadista, moveleiro e de rochas ornamentais.

Além disso, podem ser contratados cursos de qualificação profissional relacionados ao eixo tecnológico e serviços de pesquisa e desenvolvimento das Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e Entidades Tecnológicas Setoriais (ETs).

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