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Cartão de crédito em viagens? Só para emergência

A variação cambial pode tornar a sua viagem um pesadelo

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2018 | 05h00

Estou enrolado no cheque especial há mais de ano. Como sair dessa situação? O meu banco não está interessado em negociar nada. 

Essa é uma situação vivida por muitos brasileiros e esse é um peso que torna a vida das famílias muito difícil – tanto que ocupa a terceira posição entre os motivos para inadimplência do brasileiro. Na semana passada, o Banco Central divulgou as taxas de juros para pessoa física referentes a maio de 2018. Pela primeira vez, a taxa de juro do cheque especial está mais alta do que a do rotativo do cartão de crédito. Em maio, a taxa média cobrada no cartão foi de 303,62% ao ano, enquanto no cheque especial foi de 311,89% ao ano. E olha que as duas taxas caíram em relação a abril deste ano. Mas, de qualquer maneira ambas são estratosféricas, proibitivas para o devedor. Para dar uma ideia da encrenca, a taxa do cheque especial corresponde à bagatela de 12,52% ao mês, para uma inflação acumulada de 2,85% em doze meses. Esta taxa faz com que, em uma dívida de R$ 10 mil, somente de juros sejam devidos mensalmente R$1.252,05. Algo que deve aliviar um pouco a situação é que, desde ontem, 1.º de julho, passam a valer as novas regras da Febraban para o cheque especial. Entre as mudanças, assim que o correntista entrar no cheque especial, os bancos deverão avisá-lo imediatamente. O limite do cheque especial deve ficar claro no extrato, para não ser confundido com o saldo da conta corrente. As instituições financeiras deverão oferecer aos correntistas uma nova linha de crédito mais barata, em cinco dias úteis, quando for atingido 15% do limite. Caso o cliente rejeite a proposta, os bancos devem refazer a proposta de parcelamento a cada 30 dias. Algumas dicas para ajudar na solução do problema: refaça o seu orçamento, cortando tudo que seja supérfluo e até mesmo algumas “mordomias”. Substituir a dívida cara por uma mais barata: neste ponto, as novas regras obrigam o banco a negociar. Mas, você pode buscar por alternativas de crédito como o consignado para essa substituição. Seja disciplinado nos pagamentos e não entre em novas dívidas. Fique tranquilo para poder resolver a situação da melhor forma. Organize-se e transforme-se de devedor em investidor.

É possível pagar a minha fatura do cartão de crédito antes da data ou quitar o câmbio? Tenho medo da alta do dólar.

Quitar antecipadamente a fatura do cartão de crédito é possível. As emissoras de cartão de crédito permitem o pagamento em avulso antes do vencimento. De maneira geral, o valor entra como um crédito na sua próxima fatura. Assim, se o saldo em aberto for de R$ 500 e você fizer o pagamento avulso de R$ 100, esse valor será descontado no fechamento da fatura. Mas, se você pagar R$ 500 ou mais, não será gerada a fatura. Da mesma forma, pode haver antecipação de compras parceladas. Isso pode ser feito por internet banking ou caixa eletrônico, mas os juros cobrados no parcelamento não são deduzidos. Por outro lado, essa antecipação serve para liberar o limite do cartão – lembrando que a taxa de câmbio na conversão em reais é a do dia do pagamento da fatura. Portanto, entendo que, em caso de antecipação, vale o câmbio daquele dia. No entanto, fique atento, pois não há uma regra geral sobre a taxa que será usada – esses valores variam de banco para banco. Alguns usam taxas mais perto do câmbio comercial, outras mais próximas do câmbio turismo. Fica a recomendação: utilize o cartão de crédito em viagens somente para emergências, pois a variação cambial pode tornar a sua viagem um pesadelo. 

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