Cartão de crédito também para baixa renda

Estudos recentes indicam a participação cada vez maior da população de baixa renda - que ganha até R$ 500,00 - no uso do cartão de crédito. Com perfil diferenciado das demais classes sociais, os integrantes desse segmento costumam valer-se do cartão para aquisição de produtos mais relevantes, como para a compra do mês no supermercado ou para adquirir um eletroeletrônico que seu limite permita, afirma o vice-presidente de Marketing da Visa, Gastão Mattos.No entanto, o Procon-SP alerta para alguns cuidados. "Como o consumidor tem uma renda inferior, ele precisa evitar o pagamento da taxa mínima em caso de parcelamento, porque fica sujeito ao juro abusivo do cartão", diz a assistente de Direção Dinah Barreto. Os da Credicard, por exemplo, estão em 10,5% ao mês. A atenção deve ser especial em caso de despesas obrigatórias, porque no mês seguinte elas terão de ser feitas novamente, diz.Outra dica é ficar atento ao manuseio do cartão para que não seja roubado ou clonado. "A maioria dessas pessoas não utiliza esse meio de pagamento com freqüência, por isso corre o risco de demorar para cancelar e ter de arcar com uma dívida muito maior que sua renda." Caso se sinta lesado, o consumidor deve procurar o Procon por meio do telefone 1512.PerfilDe acordo com pesquisa realizada pela Credicard, 44% desses clientes costumam usar o cartão para compras relativas à moradia. Voltado para quem ganha entre R$ 300,00 e R$ 500,00, o cartão da Credicard oferece limite médio de R$ 350,00. "A grande vantagem para quem opta por pagar no cartão é que, além de parcelar, o consumidor pode comprar em uma data boa, na qual a fatura só chega em sua casa após 30 ou 35 dias", afirma o diretor de Relações Corporativas, Marcelo Alonso.Há também formas de parcelamento que facilitam a vida de quem quer adquirir um bem, mas não possui o capital à vista. Por isso, o valor médio dos gastos da classe de baixa renda é proporcionalmente maior que o da classe média, explica o vice-presidente da Orbitall, Paulo Gerber. "Como faz compras mais relevantes, ele só precisa ter o controle para monitorar o vencimento do cartão e contar com saldo para o pagamento que escolheu."Segundo dados da GE Capital - financeira da GE -, o consumo médio no cartão chega a ser três vezes maior que o valor pago à vista. Como esse nicho ainda é pouco explorado, alguns estabelecimentos estão seduzindo seus clientes oferecendo, para facilitar as compras, um cartão de crédito próprio. Diante de todas essas facilidades, a assistente de Direção do Procon pede cautela. "Na hora da venda do cartão, todos os atrativos são fáceis, mas o cliente poderá ter problemas se não souber usá-lo corretamente e de acordo com sua renda."

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