Cartão de crédito: tecnologia a favor da fraude

A Polícia de São Paulo admite que os falsários de cartão de crédito estão a par dos avanços da tecnologia. Segundo o diretor da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), Godofredo Bittencourt Filho, as quadrilhas especializadas em clonar e falsificar de cartões magnéticos estão com equipamentos eletrônicos e gráficos cada vez mais sofisticados. "Está cada vez mas difícil para o consumidor escapar das fraudes de cartão de crédito", avalia. O diretor do Depatri ressalta que a quadrilha de falsificadores é especializada, operando em três equipes. A primeira é o de informantes que trabalham com comerciantes, administradoras de cartão de crédito ou em instituições financeiras e passam informações como o número do cartão e senha dos clientes. Estas informações são passadas para os falsários que clonam cartões realizando a fraude eletrônica e gráfica. Depois de confeccionados, os cartões são passados para estelionatários que são responsáveis pelos golpes aplicados no comércio, em operadoras de cartão e nas instituições financeiras. Os falsificadores contam com equipamentos cada vez mais sofisticados. "O avanço da tecnologia facilita o trabalho das quadrilhas e prejudica o consumidor, pois a identificação da fraude fica cada vez mais complicada", explica o policial. Outro ponto que dificulta a ação da polícia e a defesa dos consumidores é que a maioria das informações sigilosas como número do cartão e senha são passadas às quadrilhas por funcionários de operadoras de cartão de crédito e de bancos. "Os comerciantes e lojistas podem agir de má fé, registrar os dados dos clientes em seus computadores e enviá-los por disquetes aos criminosos", ressalta. A clonagem dos cartões é realizada da seguinte maneira: o falsificador recebe a informação dos números do cartão e senha da vítima e através de um programa especial, codifica e imprime um cartão dublê. Para essa operação, ele utiliza quatro máquinas: um computador, uma impressora gráfica de relevo, uma impressora de acabamento para dar a cor ao cartão clonado e uma impressora eletrônica Eltron P310, equipamento utilizado por operadoras para colocar a tarja e magnetizar os cartões. Golpe por telefone Outro golpe aplicado pelos falsificadores e que está sendo investigado pela polícia é golpe do telefone. Através de um equipamento especial de grampo telefônico, o falsificador consegue registrar todas as negociações realizadas em um estabelecimento comercial via telefone. "Este golpe só é realizado com a conivência do comerciante, pois o grampo é instalado dentro do aparelho", esclarece o diretor do Depatri. O grampo é inserido nos aparelhos de rádio-freqüência da Vésper. O golpe é simples. O comerciante digita o número do cartão e a senha para autorizar a compra junto ao sistema da administradora e os dados são registrados pelo grampo e repassados ao falsificador, que clona o cartão. "Os cartões de crédito clonados são vendidos por cerca de R$ 1 mil", avisa Godofredo. Consumidor é enganado sem saber O diretor do Depatri admitiu que o consumidor pode estar sendo vítima de um golpe sem nem desconfiar do crime. "As informações recebidas pela quadrilha parte de dentro das administradoras e bancos, facilitando o golpe", explica. Ele recomenda ao consumidor conferindo sua fatura mensal sempre para verificar se não ocorreu nenhuma compra ou saque desconhecido. Nesses casos, o consumidor deve cancelar o cartão e dar queixa à policia. Veja nos links abaixo os novos sistemas de segurança que as operadoras de cartão de crédito estão utilizando para combater a fraude e a clonagem de cartões e dicas para evitar roubos e furtos do cartão.

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