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Cartaxo é confirmado na Receita

Governo decide efetivar funcionário da própria Receita como substituto de Lina para acalmar superintendentes

Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de um forte desgaste político e de uma queda de braço com os superintendentes regionais, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem a decisão de efetivar na Receita Federal o secretário interino, Otacílio Cartaxo. A escolha não agradou totalmente aos superintendentes, mas alivia o clima de tensão no órgão, depois que a ex-secretária Lina Maria Vieira foi demitida sem que Mantega desse uma explicação pública para a sua substituição. "Ele é um técnico muito competente e vocês puderam ver a atuação dele na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), onde explicou detalhadamente a questão da Petrobrás. Portanto, estou muito satisfeito com o trabalho dele", disse o ministro ontem em São Paulo. Um dos principais motivos para a demissão de Lina foi a desaprovação da Receita a uma manobra contábil da estatal. Se por um lado a escolha não atende ao pleito dos superintendentes, que queriam indicar o novo secretário, a escolha recai sobre um auditor de carreira, ligado ao projeto de reestruturação do Fisco iniciado por Lina. Cartaxo era o número 2 na gestão da ex-secretária, que promoveu profunda mudança em todos os setores da Receita. A menos de uma semana do depoimento de Lina Vieira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para falar do suposto pedido da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acelerar a investigação nos negócios da família Sarney, a solução caseira procura também baixar a "artilharia" da ex-secretária. Depois de ser demitida, ela fez várias declarações que deixaram o governo em xeque, o que surpreendeu o ministro Mantega. Até a escolha de Cartaxo, foram 35 dias de tensão e agravamento da crise institucional no órgão. Os superintendentes se rebelaram contra a demissão de Lina e a primeira opção do ministro para o cargo era o presidente do INSS, Valdir Simão. Assessores do ministro chegaram a confirmar, nos bastidores, que Simão seria o novo secretário. O ministro disse ontem que recomendou a Cartaxo seguir as mesmas diretrizes já definidas quando Lina tomou posse. Ele citou a melhora do atendimento ao público, a fiscalização dos grandes contribuintes e buscar explicações para a queda de arrecadação. A fiscalização intensa nas grandes empresas era uma das bandeiras da antiga secretária."Temos de avaliar em que condições ele (Cartaxo) permanecerá", disse o superintendente da Receita no Rio Grande do Sul, Dão dos Santos. Um dos mais atuantes no órgão, Dão disse que os superintendentes se preocupam com a manutenção do projeto iniciado por Lina.O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Pedro Delarue, considerou "inteligente" a decisão de efetivar Cartaxo. "Nós apoiamos", disse. Para ele, o nome de Cartaxo pacifica a Receita.COLABORARAM MARCELO REHDER E RENATA VERÍSSIMO

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