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Cartões de loja podem ter vantagens

Vi uma loja oferecer um cartão ‘private label’. É um cartão de crédito comum? 

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2018 | 05h00

Private label é como são chamados os cartões de crédito de redes ou lojas, aqueles que são oferecidos por estabelecimentos do comércio ou do setor de serviços aos seus clientes. Os cartões private label usualmente são para uso exclusivo dentro das unidades da rede emissora do cartão. Esse cartão pode ser usado também em estabelecimentos conveniados para obtenção de crédito e descontos nas compras.

Há um outro tipo de cartão que é conhecido como co-branded, que são cartões que levam o nome do banco junto com o nome de alguma marca e podem ser usados de forma ampla, como um cartão de crédito convencional. Graças ao endividamento das pessoas ainda muito alto no Brasil, os bancos cortaram os cartões de crédito e limites de muitos clientes, particularmente na baixa renda. Isso fez subir a emissão dos cartões de loja – que, do ponto de vista do emissor, têm algumas vantagens interessantes, como buscar fidelizar o cliente, oferecer crédito sem que o cliente altere o seu histórico bancário ou mexa no seu limite e atinja a população não bancarizada.

Várias redes varejistas muito conhecidas têm um cartão para chamar de seu. A novidade por aqui é que redes do setor de serviços, como tratamento estético, dentário e cirurgia plástica, lançaram cartões próprios permitindo o acesso a certos serviços que anteriormente não era possível. 

Por que a Selic cai e os juros para as pessoas não caem? Não aguento mais pagar os juros que os bancos cobram.

A velha frase de que o Brasil não é um país para amadores parece mais viva que nunca. A taxa Selic, que é a básica em nosso mercado, caiu entre 2016, quando estava a 14,25% ao ano, para 6,5% agora em 2018. A queda foi de mais de 54% nesse período, mas a taxa de juros média de mercado caiu apenas um pouco mais de 18%. No entanto, o cheque especial, que tem sido refúgio de muita gente, não caiu; ao contrário – subiu quase 2%, atingindo atualmente 324,12% ao ano. Lembrando que essa taxa é média de mercado. Há banco cobrando 511,41% ao ano, dados do Banco Central.

O porquê de as taxas para as pessoas não caírem na mesma proporção e velocidade que a taxa básica de juros ganha diferentes versões conforme o interlocutor. Tornando muito curta uma história mais longa, os bancos justificam os spreads bancários mantidos nas alturas na nossa economia devido ao alto custo das operações de crédito devido à alta inadimplência, aos tributos que oneram o setor de maneira muito agressiva e ineficiente e ao compulsório bancário alto em relação a outros países. Mas, segundo os bancos, os ganhos do setor não são causa, tendo em vista que no Brasil os retornos dos bancos são compatíveis com os encontrados em outros países. No entanto, muitas ações foram tomadas nesses últimos tempos que deveriam ter provocado uma queda mais acentuada das taxas e spreads praticados em nosso quintal.

O fato é que o setor é muito concentrando e os bancos gostam muito dos lucros que obtêm aqui. As fintechs têm provocado alguma mudança de cenário e crescido rapidamente. Outra ação concreta do Banco Central que deve produzir efeitos é a redução do compulsório bancário, aquele mundo de dinheiro que fica parado sem que os bancos possam jogar no mercado. Essa redução vai liberar R$ 26 bilhões para o crédito. Outro item que ajuda e está empacado é o cadastro positivo. Por mais que o cidadão tenha explicações, ele não consegue entender por que o bolso dele sempre é o mais atingido. E cá entre nós, não há justificativa mesmo. 

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